Arquivo do mês: janeiro 2009

ESTREIA: Por uma vida menos ordinária

Ricky Hiraoka

Onze anos após o sucesso de Titanic, Kate Winslet e Leonardo Di Caprio voltam a contracenar no drama Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary foi-apenas-um-sonho2Road). Dessa vez, Kate e Di Caprio enfrentam outro naufrágio: o do casamento. Na pele de April e Frank Wheler, os dois atores representam a angústia e a frustração de um casal da classe média alta americana da década de 1950 que não está satisfeito com o estilo de vida que leva. April é uma atriz fracassada que se vê obrigada a ser dona de casa e cuidar dos dois filhos. Já Frank trabalha como vendedor em uma empresa, tendo o mesmo emprego que seu pai tinha, algo que jurou para si mesmo, quando criança, que não aconteceria jamais.

Entre brigas e reconciliações, April e Frank decidem que Paris é o lugar ideal para serem felizes e encontrarem seus respectivos lugares no mundo. Ela trabalharia como secretária em uma embaixada, enquanto ele decidiria qual é sua verdadeira vocação. Mas, aos poucos, eles percebem que tal mudança não será tão fácil. A cada passo que dão rumo ao sonho de ir para Paris, eles se deparam com o vazio e a mediocridade que imperam em suas vidas.

foi-apenas-um-sonho3Foi Apenas Um Sonho é uma crítica mordaz não só ao estilo americano de viver, mas também à maneira acomodada como conduzimos nossas vidas. April e Frank são metáforas para a covardia generalizada que toma conta dos homens. A busca pelo conforto, pelo dinheiro e pela vida que achamos que devemos ter nos impede de ver o que realmente nos faz feliz. April e Frank veem em Paris a possibilidade da redenção que não serão capazes de alcançar.

Através de uma ótica um tanto niilista, Sam Mendes cria uma fábula para explicar o que move o ser humano: a insatisfação. Cada ação, cada gesto, cada movimento de April e Frank tende a buscar desesperadamente a felicidade e a sensação de estar vivo. Embora brilhante, Foi Apenas Um Sonho foi ignorado pela Academia. O filme apresenta uma direção segura, atuações memoráveis, uma deslumbrante direção de arte e um figurino impecável. Mas, por motivos obscuros, todos esses predicados não agradaram aos membros da Academia. Talvez o que os tenha incomodado foi o fato de Foi Apenas Um Sonho ser real demais.

ESTREIA: Woody sombrio

Saulo Yasssuda

A humanidade e seu pavor de mudanças. Esse tema, que atinge seres de diferentes idades, está presente no novo filme do argentino Daniel Burman, que estreia hoje (30) em São Paulo e outras capitais. Em Ninho Vazio, o cineasta, de 35 anos, mostra o passar das horas de Leonardo (Oscar Martínez), escritor cinquentão bem-sucedido da classe média argentina.

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A diferença da idade entre criador – Burman – e criatura – Leonardo – talvez influencie nos cortes bruscos que percorrem todo o longa. Isso, talvez, configura em uma forma de o diretor, que também escreveu o roteiro, evitar mergulhar no que não conhece. E, se o filme mostra o passar das horas de Leonardo, o faz com esses pequenos recortes.

Leonardo em um jantar com a esposa – crise no casamento. Leonardo conversando com o novo amigo psiquiatra – reflexões existenciais. Leonardo no consultório da bela dentista – relacionamento relâmpago. É montando essas pequenas peças cotidianas que o escritor passa seus dias – não se sabe bem quanto tempo é percorrido – para tentar preencher o vazio deixado pela saída dos filhos de casa.

Os filhos crescem e vão embora. O ninho fica vazio. Restam Leonardo e a esposa, os dois que, longe do caos diário que era a vida com os três filhos, caem de volta dentro de uma relação a dois, que entra em crise. Os filhos seguem suas vidas. Enquanto isso, Leonardo parece estacionar a sua. O chefe da família se ressente e mergulha em si, enquanto Martha (Cecília Roth), a esposa, volta aos estudos, faz novas amizades na faculdade, tem uma vida mais ativa, cheia de amigos. Um casal de antítese.

3759jpgNesse conflito que não explode – uma espécie de “guerra fria” – Leonardo parece agonizar. Vemos passagens suas que não se sabe se são sonho, realidade, ou o próprio interno do personagem. Tudo acompanhada de uma gostosa trilha jazzística. E são nesses momentos de menos fala e de mais contemplação que Burman ganha pontos.

Muito comparado a Woody Allen, o diretor, pelo menos se depender de Ninho Vazio, parece se distanciar mais do cineasta norte-americano – a não ser que fosse chamado de “Woody sombrio”. Ninho Vazio é sombrio. Ou, se quiser dar um sentido gustativo ao longa, Ninho Vazio é amargo.

Gomorra: retrato do capitalismo selvagem

Tulio Bucchioni

gomorra1“A Camorra, a Calabria, a Cecília são a face do que se desabituou de se chamar ‘capitalismo selvagem’” afirma Manuel da Costa Pinto, editor e crítico de cinema do jornal “Folha de S. Paulo” e um dos convidados para o debate sobre o filme “Gomorra”, na noite de quinta-feira, dia 22, na Livraria Cultura, em São Paulo. No evento estavam ainda Bruno Paes Manso, jornalista de “O Estado de S. Paulo” e Marçal Aquino, escritor e roteirista.

O filme, dirigido por Matteo Garrone, retrata a máfia italiana do sul do país e teve como inspiração o livro homônimo do escritor italiano Roberto Saviano, que conviveu com a máfia durante 26 anos. “ Saviano teve que tomar uma posição. O livro é muito mais um desabafo, um grito, uma denúnica do que uma representação propriamente dita” diz Paes Manso. “ Seu olhar sobre os fatos é o olhar de alguém que conviveu, sabe o que fala e sabe que por causa disso vai correr o risco eterno de morrer”. Atualmente Saviano encontra-se jurado de morte depois da repercussão de seu trabalho ao redor do mundo.

gomorra2Para Manuel, o livro pode ser classificado como uma literatura de testemunho, uma vez que, apesar de estar muito próximo do romance, pode ser caracterizado por uma narrativa onde uma vítima “tenta dar conta dessa realidade dramática, irrepresentável”. Em sua opinião, o filme trata de expor o horror da transformação das pessoas em objetos, da alienação, da forma mais brutal do capitalismo, o capitalismo selvagem: “que coisifica tudo”. “ O que Saviano mostra é que existe essa faceta do capitalismo na União Européia, existe ainda a coisa pura, a transformação do homem em dejeto, em nada, o que caracteriza o livro todo”.

Marçal chama atenção para a extrema veracidade que o filme transpassa ao espectador e que traz semelhanças com o neorealismo italiano: “ o grau de realidade não poderia ser diferente, trata-se de um documento, aquilo que vemos na tela é verdade e acontece; o filme de Garrone se aproxima muito do neorealismo italiano”. O escritor e roteirista consegue ainda identificar uma semelhança entre “Gomorra” e “Cidade de Deus”, do brasileiro Fernando Meirelles: “ a felicidade da adaptação é terem sido tiradas do livro algumas histórias representativas; o filme lembra o Cidade de Deus por várias razões, é um mosaico com milhares de histórias e personagens, não é a toa que o filme tem 6 roteiristas”. Paes Manso concorda, mas ressalta que em “Cidade de Deus” não há o posicionamento evidente de “Gomorra”; para Manuel, “Gomorra” não possui “respiro, cor local como ‘Cidade de Deus’”.

gomorra3Traçando um parelelo com Hollywood e depois com São Paulo, Marçal afirma que o filme “não se parece em nada com o cinema hollywoodiano, onde o bandido é bonitão, o que é um dos acertos desse filme, pegar atores próximos da realidade”. No que Manuel concorda: “ todos os ambientes são de uma periferia decadente em que tudo é dejeto, tudo é desglamourizado, ‘Don Corleone’ é só nas telas”. Referindo-se a São Paulo, Marçal aponta que a diferença está na “estrutura quase secular existente em ‘Gomorra’, onde tudo está misturado ao mesmo tempo e os tentáculos do crime estão onde menos se pode esperar, desde a coisa mínima até a coisa grande”. Paes Manso concorda, mas lembra o surgimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) como um dado a ser levado em consideração na nova realidade do crime em São Paulo. “ O aspecto institucional e a forma como em ‘Gomorra’ a máfia comanda a cidade é impressionante; hoje em São Paulo faz 8, 9 anos que os homícidios despencaram, mas nesse cenário aparece o PCC, que funciona como um intermédio, um juíz desses conflitos [entre mafiosos, bandidos e civis], sendo uma grande instituição”.

A deterioração das relações sociais é apontada por Manuel como o principal fator para a formação e a crueldade empregada pelas instituições mafiosas. “ É uma forma pura de aniquilação social, o filme poderia se passar em qualquer periferia de uma cidade grande do mundo; esse é o lado sombrio do capitalismo global.”

Leia mais sobre o filme Gomorra: https://cinefilosjjunior.wordpress.com/gomorra/

TÚNEL DO TEMPO: O que terá acontecido com Baby Jane?

Hugo Neto

babyjane-002No início dos anos 60, a carreira de Bette Davis, uma das maiores atrizes cinematográficas norte-americanas, aproximava-se perigosamente do fim. Após uma série de fracassos em Hollywood, a estrela que brilhara ininterruptamente nas décadas de 30 e 40 publicou na Variety o seguinte anúncio:

Artista procura emprego

Americana, divorciada, mãe de três filhos (15, 11 e 10 anos). Trinta anos de experiência como atriz de cinema. Ainda em condições de movimentar-se e mais afável do que dizem os boatos. Deseja emprego em Hollywood (fartou-se da Broadway). Respostas para: Bette Davis a/c Martin Baum, G.A.C. Dá referências.

Este golpe de autopromoção inspirou o diretor Robert Aldrich a conceber uma trama macabra concernindo duas velhas irmãs enclausuradas num casarão, e, num sagaz discernimento de publicidade, a produção reuniu duas babyjane-001atrizes célebres por décadas de uma legendária rivalidade na arte e na vida, Bette Davis e Joan Crawford. Assim surgiu O que terá acontecido a Baby Jane, um terror gótico que deu início ao ciclo que praticamente inventou o gênero.

Num lúgubre casarão vivem as irmãs Hudson. Baby Jane (Bette Davis), outrora uma criança-prodígio cuja carreira entrara em declínio, cuida de Blanche (Joan Crawford), uma estrela cinematográfica célebre em Hollywood que teve a carreira abruptamente interrompida quando ficou paralítica após um acidente automobilístico causado justamente por Baby Jane embriagada ao volante. A degeneração mental latente de Baby Jane vem à tona ao saber que Blanche pretende interná-la num sanatório e, daí em diante, seu desvario leva-a a protagonizar violências cada vez mais bizarras contra sua irmã.

Rodada em 20 dias, esta produção B oculta meticulosamente as limitações orçamentárias graças ao marcante talento dos profissionais envolvidos. Com a direção de arte barroca de William Glasgow, os cenários góticos de George Sawley, os figurinos grotescos de Norma Koch e a impressionante fotografia de contrastes fortes de Ernest Haller, o diretor Aldrich concebeu genialmente uma brutal atmosfera de pesadelo, adicionando a uma típica fábula de Grand Guignol a estética do film noir, gênero no qual o diretor era um admirável connaisseur.

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Baby Jane é, contudo, especialmente célebre pelo marcante desempenho de suas atrizes. Crawford e Davis dominam magistralmente suas grotescas personagens, infundido-as da mesma vitalidade que fizera de ambas duas das maiores estrelas dos anos 30 e 40. Jane e Blanche são duas caricaturas humanizadas envolvidas numa brutal guerra de nervos, arrastando a platéia para dentro de um turbilhão de demência.

A Blanche de Joan Crawford é a máscara bizarra de uma mulher cuja ambivalência se desdobra muito lentamente. Na luta pela sobrevivência, desafiando babyjane-004os limites de seu corpo paralisado, remanesce sempre implícita a percepção de que Blanche poderia ser tão ou mais perigosa que Jane fossem dadas outras circunstâncias.

Crawford compõe uma personagem sensacional em Baby Jane. Não obstante, com seu estilo elétrico de interpretação, é Bette Davis quem domina violentamente o filme. Seu rosto pesadamente maquiado denuncia uma sádica máscara de loucura e seu corpo desleixadamente flácido sugere uma tosca sensualidade que alcança os limites da monstruosidade. Frente à sua interpretação ousada, ostensivamente exagerada, plena dos maneirismos que seriam parte cada vez mais freqüente de seus desempenhos subseqüentes, o espectador se dá conta, encantado, dos abismos de insanidade em que sua personagem mergulhou. Nas rudes gargalhadas ao servir um rato cozido à irmã, no espancamento a pontapés de Blanche ou na alegria subliminar de perpetrar um assassinato a marteladas, Bette Davis legou suas derradeiras cenas iconográficas nas telas e somente muito ocasionalmente sua carreira lhe propiciaria o patamar ao qual este filme genial e cruel a alçou no imaginário coletivo das platéias.

O que terá acontecido com Baby Jane? (Whatever hapenned ro Baby Jane?)
1962 – Estados Unidos – 132 minutos – P/B – terror

babyjane-005Direção: Robert Aldrich.
Roteiro: Lukas Heller baseado o romace de Henry Farrell.
Direção de Fotografia: Ernest Haller.
Direção Musical: Frank DeVol.
Figurinos: Norma Koch
Direção de Arte: William Glasgow.
Montagem: Michael Luciano.
Produção: Kenneth Hyman para a Seven Arts Associates e Aldrich Production, lançado pela Warner Brothers.

Elenco: Bette Davis (Baby Jane Hudson), Joan Crawford (Blanche Hudson), Victor Buono (Edwin Flagg), Marjorie Benett (Mrs Della Flagg), Madie Norman (Elvira Stitt), Anna Lee (Mrs Battes), Barbara Davis Merrill (Liza Bates), Julie Allred (Baby Jane criança), Gina Gillespie (Blanche Hudson criança), Dave Willock (Ray Hudson), Ann Barton Cora Hudson), Wesley Addy (Diretor), Robert Cornthwaite (Dr Shelbuy), Bert Freed (Produtor).

ESTREIA: Surpresas, só no título

Bruna Buzzo

surpresas-do-amorCombine filmes de Natal em família, comédias românticas açucaradas, Vince Vaughn e Reese Whiterspoon: eis Surpresas do Amor (Four Christmases), o sucesso do natal norte americano que por lá já faturou mais de US$115 milhões e passou duas semanas na liderança do ranking de bilheteria. Se olharmos para a atual situação dos EUA, fica fácil entender o porquê do sucesso de Surpresas. Em meio à crise, é normal que os norte-americanos queiram ir aos cinemas para ver algo mais leve e se afastar um pouco do quadro cotidiano.

O filme pode ser pensado como uma mistura de Doce Lar (com Reese Whiterspoon) com Separados pelo Casamento (com Vince Vaughn). Juntamos protagonista que quer fugir de sua família em Doce Lar com os conflitos amorosos de Separados pelo Casamento, e, claro, unimos a mocinha de um com o mocinho do outro. Até aqui, nada de novo.

surpresas-do-amor2Neste filme que se formou, Brad (Vince Vaughn) e Kate (Reese Whiterspoon) são um casal de namorados que procurar fugir de suas complicadas e estranhas famílias nas festas de fim de ano. Sempre viajando e inventando desculpas para não visitar os parentes.

Uma neblina que cobre a cidade de São Francisco no Natal será a grande culpada pelas desgraças do casal, que se vê forçado a enfrentar quatro natais (afinal, ambos tem pais divorciados) em um mesmo dia, não sem custos à relação ou às convicções de ambos. A narrativa nos mostra que o casal não se conhece muito bem e muita coisa faltou nas conversas dos namorados, dos pequenos segredos às vergonhas escondidas em antigos álbuns de fotografias.

surpresas-do-amor31Entender por que Brad e Kate fogem de suas famílias é fácil, poucas são as pessoas que nunca se irritaram com interferências e fofocas familiares. No entanto, a grande mensagem que esta comédia romântica passa (por que você já deve ter percebido que comédias românticas sempre passam uma mensagem bonitinha no final) é de que viver e conviver em família pode ser melhor e mais recompensador, apesar de tudo. E neste jogo amoroso, a sinceridade é a melhor tática, sempre lembrando que planos podem ser revistos.

Top 10 Mortes em Filmes de Terror

Felipe Maia

Bons filmes de terror têm de ter morte. Os ruins também têm. A morte, encenada a fio no cinema, ganha toques de requinte e imaginação nas mãos dos diretores de horripilantes películas como Evil Dead, Night of the Living Dead ou Braindead. Após esses títulos, alguém discorda que a morte é mais do que essencial pro terror? Confira abaixo, se tiver estômago forte, as dez maiores mortes em filmes de terror.

10º: A Nightmare on Elm’s Street – Afundando na cama
A estréia da franquia de Freddy Kruguer contava com uma fórmula até então reciclada diversas vezes — e re-reciclada nos outros filmes. Uma pacata cidade estadunidense, famílias felizes, estereótipos de adolescentes e fatos estranhos que começam a acontecer. Não há nada mais estranho, aliás, do que afundar num sem fim pela cama. Assim morre o personagem de Johnny Depp, Glenn, à época com cara de molecote do time de futebol americano. Glenn não resiste ao sono e cai nas garras de Freddy e num gêiser de sangue.

9º: The Blob – Ou seria o silicone?
Grande nome do trash, o remake “A Bolha Assassina” é uma história nonsense digna de ser o mais assustador do Cinema em Casa. A meleca sedenta por morte é versátil nos assassinatos, e, no caso, espera pra dar o bote no meninão também sedento. Ela poderia se disfarçar de prótese que dava na mesma.
http://www.youtube.com/watch?v=yydVLCUtsNM

8º: Evil Dead 2: Dead by Dawn – Ex-namorada boa, é ex-namorada…
Morta. A máxima vale para o maior astro do horror: Ash Williams. O maneta da moto-serra e do pau-de-fogo (é como ele define sua 12mm) protagoniza a série Evil Dead, dirigida por Sam Raimi. Na segunda fita da trilogia, Ash logo perde sua namorada pro incansável Necronomicon (“O livro dos mortos”). Transformada em monstro, Ash não vê solução senão degola-la com uma pá. Na verdade, ele assim o fez porque não tinha a moto-serra em mão. Arma empunhada, ex-namorada morta de novo. Com estilo.

7º: Sleepy Hollow – Magistrado às voltas
Depp encabeça outro posto na lista, mas dessa vez não é, propriamente, com sua cabeça. Em “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, o queridinho de Tim Burton é o incrédulo Ichabod Crane. Descrente, a bem da verdade, até esta cena. O magistrado Philipse (Richard Griffiths) é vítima do Cavaleiro sem Cabeça que, com destreza na espada, desfere um corte desafiador às leis da física: como essa cabeça girou tão perfeitamente?
http://www.youtube.com/watch?v=saO20zdDEwk

6º: Friday the 13th 8: Jason Takes Manhattan – Criatividade à flor da pele
Jason Voorhees nunca foi muito criativo em seus assassinatos. Desde o primeiro filme da série Sexta-feira 13, poucas são as vezes que ele consegue sair do feijão-com-arroz, isto é, a facada mortal. No oitavo filme, entretanto, o maior serial killer do cinema parece ter um espamo de imaginação, talvez causado pela cidade de Nova York. O resultado são 20 mortes, das 160 cometidas durante os 11 filmes. A mais interessante, a 15ª do vídeo, é um show de atletismo pelo senhor Voorhees: máscara do hockey, soco do boxe e cesta do basquete.
http://www.youtube.com/watch?v=IYaZ6rOeFCg

5º: Wolf Creek – Head on a Stick
Leva nome de receita, mas é na verdade a técnica mortal realizada pelo fazendeiro australiano Mick Taylor (John Jarrat) em Wolf Creek. Usando uma temática também freqüente — a viagem interrompida por um doente matador —, o filme ainda arrancou elogios de crítica e público. A película arrisca alguns planos incomuns no gênero, como a vastidão australiana e a fotografia inerente às locações. Sem mais delongas, o domínio da lâmina aqui daria inveja ao Cavaleiro Sem Cabeça — sem cabeça, mas com coluna.

4º: A Mosca II – Cara derretida
A mutação é mais uma fórmula que sempre dá certo em filmes de terror ou terror trash. Ocorrida por motivos contemporâneos ao contexto histórico, isto é, devido à radiação na época da Guerra Fria, engenharia genética no fim do século e, quem sabe atualmente, pelo aquecimento global, a mutação já transformou seres humanos em monstros, zumbis, cobras, aranhas e moscas gigantes. E, se o homem-aranha é uma mutação bem sucedida, o homem-mosca passa longe disso, embora tenha seus poderes. O jato de ácido é o responsável pela morte nada comum de um segurança em The Fly II.
http://www.youtube.com/watch?v=QGF9cZZaK-o

3º: Night of the Living Dead (1968) – Menina mal-criada
Nada mais justo do que o pódio ao mestre dos zumbis no cinema: George Romero. Em seu primeiro filme, clássico do gênero, Romero já enumera o que viria a fazer parte da cartilha do horror cinematográfico: tensão ininterrupta, roteiro misterioso e, claro, mortes memoráveis. Na sua extensa lista de filmes, todos da mesma temática, o assassínio dos pais pela zumbi-mirim Karen é uma cena que merece destaque.
http://www.youtube.com/watch?v=8RIrLmsGapM

2º: Braindead – O combo
Senhor dos Anéis? Esqueça. Da próxima vez que ouvir o nome de Peter Jackson lembre-se de rato-macaco da Sumatra, mamãe zumbi gigante, festinha de mortos-vivos e um padre que luta artes marciais. Esses são os ingredientes da obra-prima do diretor: Fome Animal, o maior clássico terror trash de que se tem notícia. A seqüência de mortes abaixo ganha o honroso segundo lugar da lista.
http://www.youtube.com/watch?v=nrYrkiyo3BM

1º: Cannibal Holocaust – Não assisti
Mas não é preciso assisti-lo inteiro para saber que é o máximo do terror gore, do sanguinário e do brutal no cinema. As cenas do filme — pai de Bruxa de Blair e REC — estão, definitivamente, entre as mais impactantes já gravadas. A vontade de fechar os olhos é tamanha que a fita foi banida em dezenas de países, e o diretor, Ruggero Deodato, foi obrigado a prestar explicações à polícia italiana sobre a suposta morte dos atores. Impalamento e esquartejamento dão uma idéia de quão fortes são as imagens, mostradas abaixo num trecho de um documentário.

DOCUMENTA: Os porquês de um aborto

Marcia Scapaticio

O documentário Fim do silêncio ainda não é exibido nos cinemas, porém, já repercute em diversas mídias. A polêmica em torno da obra dirigida por Thereza Jessouroun já se inicia pelo tema em questão: o aborto e suas conseqüências para mulheres de diferentes estilos e vivências; além da temática, há o assunto do patrocínio concedido pela FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz). A cineasta considera positiva a polêmica e a discussão sobre o documentário: “Já está mais do que na hora de esta ser uma discussão de toda a nossa sociedade. Apenas 26% dos países ainda não discriminalizou o aborto e todos eles se encontram na América Latina, África e Ásia. A criminalização do aborto não está impedindo as mulheres de fazerem o aborto. Ao contrário, fazem sem nenhuma segurança, correndo risco de vida”. Thereza conversou com o “Cinéfilos” a respeito do início de sua trajetória no audiovisual e, é claro, sobre o reflexivo Fim do silêncio.

No início:
Comecei trabalhando em filmes de ficção de longa metragem como fotógrafa de cena, em seguida continuísta e depois e assistente de montagem. Mas meu interesse já era documentário, pois eu fazia “documentários” com minha máquina fotográfica. Até que em 1986 tive a sorte de começar a trabalhar como produtora e assistente de Eduardo Coutinho, com quem tive uma grande escola de documentários.

O crescente interesse de cineastas e do público no formato documental:
Acho que pode ser uma consequência da chegada das tvs a cabo, e depois da Internet: mais informações, mais assuntos, mais facilidade de pesquisas, mais interesse. A chegada do formato digital também facilitou e barateou muito a produção de documentários. Também houve maior espaço nos cinemas para o gênero documentário.

A mesma responsabilidade:
A responsabilidade do autor quanto aos temas é a mesma, tanto em documentários quanto em ficções. Os cineastas lidam, através do cinema, com seus países e os temas inerentes à vida em cada um deles.

História à mostra:
O documentário Fim do silêncio propõe que o tema deixe de ser um tabu, e para isso, eu precisava que as mulheres mostrassem seus rostos, assumissem suas histórias e as contassem naturalmente, como se falam de todos os outros assuntos. Divulgamos um texto na Internet procurando mulheres que se dispusessem a contar suas histórias. 22 mulheres se ofereceram. Entrevistei todas elas, mas utilizamos no documentário depoimentos de 12 delas. Eu queria dar voz às mulheres já que há anos se discute o aborto sem escutá-las. É sempre a ótica moral e religiosa que predomina. Conseguimos ter mulheres de diferentes idades, religiões e profissões, de três estados do país (RJ, PE e SP), falando para a câmera, como e porque fizeram o aborto.

Veja também: O Aborto dos Outros, de Carla Gallo (Brasil, 2007).