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Entradas categorizadas em ‘Trilha Sonora’

Música pra suar a camisa

26/Agosto/2008 · 1 Comentário

Felipe Maia

A música está para o esporte assim como Cheech está para Chong; assim como Bony está para Clyde; assim como Thelma está para Louise; ou melhor, assim como Michael Phelps está para medalha de ouro. E o orelhudo mais rápido das piscinas não deixa mentir sobre a sincronia que há na combinação esporte e música — duvido que o fato de ele chegar às competições ao som do seu iPod não tem a ver com seus quilates recém-adquiridos. E, tomando como inegável a influência da música sobre o comportamento e desempenho humano, o cinema faz sua parte quando quer mexer com as emoções do espectador unindo num só momento seqüências e canções dignas do primeiro lugar no pódio.

Para chegar ao topo é preciso ralar muito. Nem que seja batendo em carne num frigorífico, carregando pedras num terreno baldio ou correndo num frio danado só de moletom. Esse cenário, que bem podia ser de um despatrocinado atleta brasileiro, é na verdade de Rocky Balboa, o boxeador interpretado por Silvester Stallone na franquia Rocky. Além do famoso tema executado por uma orquestra, Eye of the Tiger é outra canção que embala o lutador nos ringues. Tocada pela banda Survivor, a vinheta do boxe na Globo logrou boas posições na Billboard, rendeu participação da banda em outro filme da série e era o que faltava para Rocky detonar com um gancho de direita qualquer adversário.

Ainda na busca do lugar mais alto, Eye of the Tiger só perde para Get on Top, do Red Hot Chili Peppers. Dessa vez o topo é a crista da onda, e os surfistas são os descolados pingüins de Surf’s Up, O clima de adrenalina e competição entre tubos e dropadas ganha força com o wah-wah da guitarra e os ataques do baixista Flea — uma composição que deixaria até Dick Dale empolgado. Em matéria de animação, aliás, os Looney Toons são os campeões disparados — mesmo com a chatice do Patolino. Junte a eles Michael Jordan, basquete e um genuníno hip-hop anos 90 que essa animação se multiplica exponencialmente e literalmente no filme Space Jam. A bola da vez na playlist é o Quad City Dj’s e sua música-título: um sample clássico, alguns gritos de guerra e roupas e danças espalhafatosas. Nada melhor para acompanhar o maior jogo de basquete do século — se não isso, pelo menos o mais sem noção.

Outro muito bem acompanhado musicalmente é Lords of Dogtown. Meio ficção, meio documentário, o longa conta a história das origens do skate. O cenário é a Califórnia dos anos 60, com suas piscinas vazias, asfaltos escaldantes e moleques de cabelo grande com um carrinho sob os pés. Para impulsionar ollies e flips só mesmo boas canções como Fire do dispensa-comentários Jimi Hendrix, Death or Glory, originalmente do The Clash, mas levado pelo Social Distortion, e Iron Man do Black Sabbath. A última, cantada por Ozzy Ousborne, também deu as caras recentemente no filme do super-herói Homem de Ferro. Figurinha carimbada mesmo nos filmes (e, principalmente nos de esporte) é o Queen. Todo técnico deveria colocar We are the Champions nas suas preleções. É mais ou menos o que o treinador de hockey Gordon Bombay (Emilio Estevez) faz com o time dos Super Patos em Mighty Ducks. E se o negócio for levantar a moral do pessoal, nada melhor do que a contagiante We Will Rock You. Se já era assim nos duelos de cavaleiros da Idade Média, como se vê em Coração de Cavaleiro, deve funcionar hoje em dia. O que não dá pra dizer é que o Phelps roubou só porque ouviu uma musiquinha — escolhas não faltam!

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Estradas Sonoras

28/Julho/2008 · Deixe um comentário

Cris Sinatura

Em Quase famosos, a voz quase angelical de Elton John em Tiny Dancer amacia os nervos excitados da banda Stillwater durante as viagens da turnê pelos Estados Unidos. Para Ana, Tenoch e Julio de E sua mãe também, as estradas do México ficam bem mais agitadas quando o rádio toca rap. E por que não mencionar o ritmo que Shania Twain e sua Man I feel like a woman dão às “aventuras” de Britney Spears e amigas a bordo de um conversível velho em Crossroads?

Quem vai negar que música e estrada formam um par tão prazeroso quanto cinema com pipoca? Como não reparar que as notas e os tons e os timbres colocam em harmonia rodas, estradas e paisagens, conferem ritmo à dança agitada do ponteiro no velocímetro, transformam em melodia o ronco quente do motor?

Tanto é verdade que um road movie que se preze eleva a trilha sonora da categoria de mera complementação de uma cena à condição de sustentáculo condutor da mesma.  O que seria das viagens de Orlando Bloom em Tudo acontece em Elizabethtown sem a seleção musical feita por Kirsten Dunst, que vai de James Brown a Smashing Pumpkins? E o que seria de Diários de Motocicleta sem a canção Al otro lado rel rio, que, por ilustrar tão bem as viagens de Ernesto Guevara e Alberto Granada pela América do Sul, acabou por render um Oscar de Melhor Canção Original ao cantor uruguaio Jorge Drexler?

Cada estrada e cada humor pedem trilhas sonoras diferentes. Para uma viagem em clima rock ‘n’ roll, como em Quase famosos, Pearl Jam cai feito uma luva com Alive, e Lenny Kravitz com Fly away. E já que o tema dessa viagem é a busca pela fama no mundo do rock, por que não Rockstar, do Nickelback, ou All Star, do Smash Mouth?

Mas se o destino é o mar, o sol e a areia, a voz da vez é, sem dúvidas, o havaiano Jack Johnson – por clichê que seja. É só fugir do óbvio; as canções menos conhecidas, como Tomorrow morning e The horizon has been defeated, é que realmente ganhariam a cena em um bom road movie praiano.

Falando em clichê, quantos não são os filmes que usam e abusam da cena clássica em que a mocinha ou o mocinho choram rios sobre o volante enquanto dirigem? Se um desamor é o combustível que alimenta o seu road movie, então James Blunt vem a calhar com Same mistake ou então Matchbox Twenty com Cold.
Se você quer hits clássicos para conduzir os rumos sinestésicos da sua viagem, vá de Like a rolling stone do lendário Bob Dylan ou de qualquer uma dos bons e velhos Beatles (desde Help! e Ticket to ride até All you need is love, vale tudo).


Mas se seus anos dourados foram bem depois da década de 60, então aperte o play em dois hits dos anos 90: That thing you do, dos fictícios The Wonders, ou Wannabe, das queridinhas do pop Spice Girls. Saudosismo pouco é bobagem.

Se em Cinema, aspirinas e urubus, um road movie com o típico jeitinho brasileiro de ser, é Carmen Miranda quem dá ritmo às andanças de Johan e Ranulpho pelo sertão nordestino, outros nomes da música nacional também são capazes de embalar boas viagens. Da Jackie Tequila do Skank ao Cotidiano de Seu Jorge, tem opções para todo tipo de gosto, de viagem e de paisagem.

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Música para o coração

30/Junho/2008 · 2 Comentários

As trilhas sonoras e os filmes que falam por si só quando o assunto é criar um clima

Felipe Maia

O amor sempre inspirou a arte. Em todos os tipos de arte é o amor que dá o tom. No cinema, contudo, há uma grande diferença. Quem dá o tom ao amor na telona é a música. O que seria de Jack e Rose sem Celine Dion para acompanha-los em Titanic? O exemplo pode até ser cafona, mas, em se tratando de amor, o cafona é romântico.

E muito do que é romântico é clássico. Não só clássico na acepção acadêmica e pomposa. Clássico de “Sessão da Tarde” mesmo. Ao menos um crepúsculo semanal tinha de vir acompanhado de alguma música comovente, cheia de levadas suaves que culminavam naquele beijo. Em Top Gun – Ases Indomáveis, Take My Breath Away embalou Charlotte (Kelly McGillis) e Maverick (Tom Cruise).

Quase uma década depois, a sintonia do casal Demi Moore e Patrick Swayze de Ghost – Do Outro Lado da Vida só estava completa quando tocava Unchained Melody, com os vocais chorados e o piano quase valsa dos Righteous Brothers — que, como a banda Berlin, de Top Gun, não tiveram outros hits. Mais um casal beleza que completa esse quadro são a prostituta Vivian (Julia Roberts) e o executivo Edward (Richard Gere) em Uma Linda Mulher. Quanto à música, o ronronante Roy Orbison em Pretty Woman não é o único que vale ser lembrado: a trilha sonora do filme ainda conta com Roxette e Red Hot Chilli Peppers (!).

Em matéria de prostituta, porém, eu prefiro a Bonequinha de Luxo de Audrey Hepburn. Até porque, além de bela e primorosa em cada trejeito ora bonequinha, ora luxo, ela canta muito bem. Ao maior estilo folk, com um violão e arrastando as dedilhadas, Holly embala a deliciosa Moon River em sua janela.Também vale muito a pena assistir a outras obras-primas, como Casablanca. Mais do que ver, deve se ouvir. É o caso da música tema de Ilsa e Rick. Cantada pela sublime voz de Frank Sinatra, As Time Goes By realça cada detalhe dos planos que contêm o casal e dá o ar saudoso da trama.

A animação Shrek mostra que amar é algo que vai além do humano — e alcança até os corações mais ogros. No segundo filme da seqüência, Peter Yorn dá uma nova roupagem ao punk esganiçado e de acordes agudos do Buzzcocks. Em tom mais power-pop, Ever Fallen In Love foi uma escolha muito feliz para o romance nada comum de Shrek e Fiona.

O que falar então das crianças, que já causam suspiros pelo menor dos namoricos em filmes. Atire o primeiro lenço de papel quem não se lembra de My Girl, levada no maior estilo bailinho pelos Temptations. A canção dá nome ao filme que conta com brilhante atuação da dupla Thomas (Macaulay Caulkin) e Vada (Anna Chlumsky. Tão doce quanto essa trama é o trecho de Os Batutinhas em que Alfalfa (Bug Hall) declara à Darla (Britanny Ashton) todo o seu amor em You Are So Beatiful. Apesar da voz do pequeno (ou justamente por ela), a música vem como uma sinceridade como não se vê em tempos de créu.

Horas e horas seriam necessárias para ouvir tudo de romântico e amável que a música produziu para a sétima arte. Essa é uma ótima desculpa para ficar junto de seu par, seja assistindo aos filmes da lista ou escutando as canções.

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