Cinéfilos – Apaixonados por Cinema

Entradas categorizadas em ‘Personagem’

A Política e O Vagabundo

27/Outubro/2008 · 3 Comentários

Bruno Benevides

No final do século 19 nasceu na periferia de Londres um dos principais nomes da história do cinema. Filho de uma atriz, Charles Spencer Chaplin estreou nos palcos com apenas cinco anos, para substituir a mãe que havia passado mal. A partir de então construiu uma ascendente carreira, primeiramente em musicais londrinos, depois como comediante nos EUA. Foi lá que encontrou o cinema e fez história.

Filho das classes baixas britânicas que emigrou para os EUA no início do século, Chaplin começou a se destacar na tela grande ao criar o personagem “Carlitos, o vagabundo” (“Tramp” no original) em 1914, para sua estréia nas telas no curta Making a Living. Logo depois passaria também a escrever, dirigir e produzir seus filmes, em geral utilizando o humor baseado em Carlitos.

Chaplin estreou na direção de longas com O Garoto, de 1921. A partir daí fez clássicos como Em busca do Ouro e O Circo, com os quais passou a ser reconhecido como um grande autor, sempre utilizando o famoso vagabundo. Com isso passou a integrar o grupo pioneiro que chegou ao cinema enquanto este se consolidava como arte, participando da construção da linguagem cinematográfica.

Muitas vezes, porém, as comédias de Chaplin, possuíam, além da incrível capacidade de fazer rir, críticas que vão muito além do simples humor. Foi assim com Tempos Modernos, seu clássico de 1936 que criticava a alienação e a exploração do operário frente ao capitalismo industrial do início do século 20.

Foi a partir daí que começou a ser investigado por autoridades americanas, acusado se der comunista. Para piorar sua situação ele ainda enfrentava problemas com executivos dos estúdios, que desde 1927 o pressionavam a utilizar o som em seus filmes, coisa que Chaplin se recusava a fazer.

Apenas em 1940 o inglês deu o braço a torcer. O resultado foi a comédia O Grande Ditador, o primeiro filme a denunciar as atividades da Alemanha nazista, com direito a um histórico monólogo final, um discurso em defesa dos direitos humanos feito em plena segunda guerra.

Cheio de problemas com o Comitê de Atividades Antiamericanas, o órgão do governo dos EUA que perseguia comunistas, o trabalho de Chaplin passou a rarear. Fez apenas mais dois filmes antes de fugir dos EUA para evitar problemas com o governo, alem de mais dois depois de sua chegada a Europa. O cinema, porém, já tinha ganhado seu punhado de clássicos. Chaplin não precisava fazer mais nada.

Categorias: Personagem
Etiquetado:

Do cinema italiano para o mundo

23/Setembro/2008 · Deixe um comentário

Morricone ultrapassa fronteiras de tempo e espaço e se mostra um dos maiores compositores de todos os tempos

Victor Caputo

Poucos são os que se destacam e gozam de prestígio no mundo da trilha sonora. Um destes senhores é Ennio Morricone. Foi lá pelo final dos anos 50 que suas trilhas começaram a aparecer em alguns filmes italianos.

Já em 1964 Sergio Leone lança Por Um Punhado de Dólares, a trilha sonora, composta por Morricone, foi apenas a primeira entre muitas da parceria entre os dois italianos. Foram com os Spaghetti Westerns de Leone, que Morricone alcança o reconhecimento internacional.

Toda vez que vemos a típica cena de um duelo em faroeste, rua deserta, dois homens se analisando e eventualmente um pouco de feno sendo levado pelo vento, a música que aparece para acompanhar a cena é sempre a mesma, ela foi escrita por Morricone para o filme Três Homens em Conflito, um dos maiores clássicos do faroeste, também filmado pro Leone. Outros títulos são Era Uma Vez no Oeste, Por Mais Alguns Dólares e Era Uma Vez na América, sendo o último o único não-faroeste deles.

Não é só de westerns que uma carreira é feita. Outros clássicos possuem trilha sonora de Morricone, como o caso de A Missão, filme no qual DeNiro é um ex-mercador de escravos que, arrependido de sua vida, se junta á um grupo de jesuítas nas florestas brasileiras. Outra de suas maiores obras é a trilha de Os Intocáveis, o grande clássico de Brian DePalma, que conta com DeNiro fazendo papel de Al Capone. A lista de obras que contam com suas trilhas é enorme, a maioria sendo títulos italianos.

No ano de 2007, Morricone recebeu um Oscar honorário pela sua magnífica contribuição para o mundo do cinema. O discurso de agradecimento, em italiano, foi traduzido por Clint Eastwood, o protagonista de muitos dos westerns de Sergio Leone.

Categorias: Personagem
Etiquetado: , , , , ,

Um ícone do mundo do boxe

19/Agosto/2008 · 2 Comentários

Mesmo sendo apenas uma ficção, Rocky é um dos maiores campeões de todos os tempos

Victor Caputo

Após tomar seus cinco ovos crus de café da manhã, ele sai e corre vários quilômetros usando um all-star preto de cano alto. Ele treina boxe dentro de um frigorífico socando pedaços de carnes pendurados. Além de tudo isso tem seis filmes com seu nome. Rocky Balboa “nasceu” em 1976, criado por Sylvester Stallone. Logo no primerio filme, Rocky, o boxeador fez sucesso e conquistou 3 Oscars, incluindo a tão comentada estatueta de melhor filme. Diria que um bom começo.

Depois do primeiro veio uma série de outros, até parar no quinto filme, lançado em 1990. Após uma pausa de dez anos Stallone voltou com um sexto filme, intitulado Rocky Balboa, nele já vemos o famoso esportista velho, assim como seu criador.

Um lutador que ganha pouco dinheiro e para sobreviver precisa trabalhar como cobrador para um agiota. Esse é Rocky, que vê a chance de sua vida em uma luta contra o campeão Apollo Creed. A história que basicamente se repete no segundo filme, de 1979, não desanimou o público que novamente acompanhou e torceu por ele.

Em 1985, durante a Guerra Fria, Rocky luta contra um soviético em Rocky IV, uma clara alusão aos conflitos entre as duas super potências da época. A morte de Apollo Creed durante uma luta contra o capitão Ivan Drago, faz com que Rocky vá vingar a morte do amigo. As diferenças entre os treinamentos dos dois são memoráveis, enquanto o soviético treina em um laboratório de alta tecnologia, Rocky treina de modo simples, correndo na neve ou socando qualquer coisa. Mesmo assim o soviético não foi páreo para Rocky.

No último filme Rocky sai da aposentadoria para uma última luta, o que gera discussões com seu filho, que após cinco filmes já é um adulto. No total seis filmes e 30 anos formam o legado de Rocky Balboa. Após tanto tempo subindo a famosa escadaria após sua corrida, Rocky ganhou uma homenagem no Museu de Arte da Filadélfia. A estátua de bronze usada nas filmagens de Rocky III foi colocada definitivamente no topo da escadaria como homenagem ao lutador mais famoso do cinema.

Imagino que poucos são exceções e não tiram uma foto fazendo pose ao lado do lutador mais famoso de todos os tempos, que mesmo sendo apenas uma ficção é um dos maiores ícones do boxe.

Categorias: Personagem
Etiquetado: , , , ,

Road Movie tem que soltar fumaça

15/Julho/2008 · 2 Comentários

Felipe Maia

Uns tem personalidade masculina. São robustos e fazem o tipo agressivo. Outros são mais femininos. Carregam linhas sinuosas e cheias de estilo. Quase sempre estão correndo — e se não o fazem o motivo tem de valer a pena. Espalhando ou comendo poeira, nenhuma estrada é suficiente para eles. São os carros e motos, protagonistas indiscutíveis e talvez implícitos de qualquer road movie que se preze. Senão eles, quem seria dono dos planos mais panorâmicos, alvo de perseguições alucinantes ou emissor daquele ronco que dispensa sonoplastia.

Essa descrição felizmente cabe como uma luva de motoqueiro para o filme Easy Rider (Sem Destino). As motos Harley-Davidson Capitão América e Billy Bike resumem no seu estilo “chopper” o espírito do filme. O guidão alto e o garfo dianteiro estendido cortam com liberdade as longas estradas. O motor, que não é original, dá o ar veloz da viagem. E os detalhes cromados fazem das motos um ponto visível nas vastidões dos Estados Unidos — inclusive daquele não encontrado pelos motoqueiros Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper).

Pelas highways norte-americanas também passou outra dupla tão (ou mais) insana quanto Fonda e Hopper. Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon) dão nome ao filme de duas mulheres que encontram na estrada a vazão para suas loucuras reprimidas. Quem leva as moças nessa viagem é o Ford Thunderbird 1966. O conversível de linhas retas e aspecto vintage alcançava a marca de 200km/h. Seu desenho aerodinâmico favorecia as altas velocidades e o rastro de poeira deixado pelas motoristas.

Quem voou baixo nas telonas foi o Dodge Challenger R/T 1970 no filme Vanishing Point (Corrida contra o destino). Com a missão de levar o muscle car de Denver a São Francisco, James Kowalski (Barry Newman) encabeça uma perseguição literalmente cinematográfica entre a polícia e o “dojão americano”. O carro tinha um motor V8 aspirado — algo próximo ao turbo — e a fita corre na velocidade da máquina.

Engana-se, então, quem pensa que um bom carango só pode fazer seqüências frenéticas e tomadas alucinadntes. Em The Straight Story (Uma História Real) o veículo é pequeno, faz um barulho baixinho, chega no máximo a 20km/h e é a essência do filme. É num cortador de gramas que monta Alvin Straight (Richard Farnsworth), realizando uma jornada de 300 quilômetros em busca de seu irmão. A morosidade do carro cria a atmosfera dramática da película, exposta aqui de modo pouco explorado.

Alvin viaja consigo mesmo, bem longe daquela de Pequena Miss Sunshine — esta com um monte de gente mesmo. O ensolarado filme (sem o perdão do trocadilho) corre junto do Volkswagen T2. A Kombi amarela contém em sua cabine todos os conflitos e confusões dos Hoover, assim como a deliciosa história que se desenrola. Aumentando um pouco o tamanho chegamos ao ônibus usado no filme Priscila, Rainha do Deserto. Atravessando a imensidão da Austrália vai o peculiar grupo composto por duas drag queens e uma mulher transexual — um trio cômico.

Seja em duas, três, quatro ou seis rodas: a um road movie é imprescindíevel um bom veículo. Ele é quem define a velocidade do rolo e qual o enquadramento feito. Assim, além de ator, é diretor. Quem mais teria autoridade para falar de estrada senão aquele que vive sobre ela?

Categorias: Personagem
Etiquetado: ,

Queridinha de Hollywood

30/Junho/2008 · 3 Comentários

Cris Sinatura

Pense em Meg Ryan. Qual o primeiro filme que lhe vem à cabeça? Provavelmente alguma das várias comédias românticas que ela já protagonizou. Mas, por trás de papéis quase sempre água-com-açúcar e da combinação cabelos-loiros-e-olhos-verdes, há uma atriz tão versátil quando flexível.

Ela já se apaixonou por um anjo em uma sugestiva Los Angeles; já viveu o drama de uma mulher que luta contra o alcoolismo por amor ao marido e às filhas; já descobriu que sua paixão virtual era, na verdade, seu maior inimigo nos negócios; já esteve na pele de uma moderna e bem sucedida executiva que reencontra o amor em um duque do século 19.



Sua estréia no cinema foi em 1981, no filme “Ricas e Famosas”. Mas foi ao lado de Billy Crystal, com “Harry e Sally – Feitos um para o outro”, oito anos depois, que Meg Ryan conheceu o status mais elevado de Hollywood. Com uma história (batida) de um casal que primeiro se odeia para depois cair de amores, a atriz passou a ser figurinha concorrida para as comédias românticas. No tempo entre sua estréia no cinema e seu boom hollywoodiano, Meg Ryan estrelou ao lado de Tom Cruise um clássico dos anos 80, “Top Gun – Ases Indomáveis”. No criativo “Viagem Insólita”, da mesma década, Ryan conheceu o ator Dennis Quaid, com quem teve um casamento de dez anos e tem um filho de treze.

Com Tom Hanks, Meg Ryan encontrou a melhor química em cena. Juntos, eles estrelaram “Joe Contra o Vulcão”, em 1991, “Sintonia do Amor” (95) e o clássico das comédias água com açúcar “Mensagem pra você” (98). Em “Cidade dos Anjos”, Meg Ryan emocionou multidões ao dar vida, ao lado de Nicolas Cage, ao romance entre uma médica mortal e um anjo errante. Iris, a doída canção da banda Goo Goo Dools que embala o drama, virou trilha sonora para milhões de casais apaixonados mundo afora.

É fato que ator nenhum gosta de ver sua carreira estigmatizada por um único papel ou um tipo restrito de atuação. Mas às vezes é inevitável. Talvez não tanto quanto esteja o personagem Neo para o lacônico Keanu Reeves ou as comédias-de-doer-a-barriga para o incomparável Jim Carrey, os romances são o rótulo da carreira de Meg Ryan. Mas que se afaste a negatividade desta crítica. Meg é boa no que faz e serve de mestre para as mais jovens das queridinhas hollywoodianas, como Reese Whiterspoon e Drew Barrymore. Prova disso é que ela não se acomoda e – mais importante – suas empreitadas por gêneros que não a comédia romântica são bem aventuradas. Veja-se “Em Carne Viva”, longa de 2003 em que há, sim, um romance (com o detetive de Mark Rufallo), mas que foca muita mais na obscuridade que a investigação de um assassinato confere a esse envolvimento. Nessa mesma mistura de drama com suspense, Meg Ryan move esforços para resgatar o marido seqüestrado, com a ajuda de Russel Crowe, em “Prova de Vida”. Esses são dois papéis que vêm provar a versatilidade de Meg Ryan e que nem só de mocinhas apaixonadas é feita sua carreira.

O que coloca Meg Ryan no topo da consagração em Hollywood é essa flexibilidade que a permite dar vida a personagens tão diversas. É a capacidade de não se limitar a um estereótipo e, rompendo-o, mostrar-se tão bem desenvolta quanto em seus papéis-rótulos.

Categorias: Personagem
Etiquetado: , , ,