Cinéfilos – Apaixonados por Cinema

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ESPECIAL: Um breve giro pela História através dos filmes

12/Janeiro/2009 · 4 Comentários

Bruna Buzzo

Partindo do começo do século XX, lhes conto, através dos filmes, um pouco da Era dos Extremos de que fala o historiador Eric Hobsbawn: de maneira figurada, o século XX foi o período entre a eclosão da 1ª Guerra Mundial, em 1914, e o colapso na União Soviética (URSS), em 1991.

feliz-natal2Comecemos por Feliz Natal (Joyeux Noel, 2005): durante a 1ª GM, soldados franceses, alemães e escoceses presos em uma frente de batalha durante o Natal param a guerra por uma noite e confraternizam entre si. Depois tudo voltou ao normal e os soldados foram punidos por seus superiores, acusados de confraternizar com o inimigo. O filme foi baseado em uma história real de solidariedade entre homens sofridos que trocaram comidas, bebidas e alegrias durante a noite de Natal de 1914. No filme, os soldados de cada país falam suas próprias línguas e os atores que os interpretam são também originários destes. O roteirista e diretor Christian Carion soube respeitar as nacionalidades e não colocou alemães e franceses falando inglês.

Da Primeira Guerra saltamos para a Revolução Russa com Reds (Reds, EUA, 1981, 188 min). Dirigido e estrelado por Warren Beatty, constrói uma cinebiografia do jornalista norte-americano John Reed, que esteve presente na Revolução Russa de 1917 e sonhou em liderar uma revolução semelhante nos Estados Unidos. O filme é um retrato dos acontecimentos da Revolução Russa e se baseia no livro Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, um livro-reportagem sobre o que Reed presenciou durante sua estada na Rússia.

dr-jivago

Cena de Dr. Jivago

Outro filme que vale a pena citar aqui é Doutor Jivago (Doctor Zhivago, EUA, 1965, 200 min). Baseado em um romance homônimo, conta a história de um médico russo, desde sua infância, ainda na Rússia czarista, até a crise e os expurgos da nobreza, nos anos 20 e 30. A História é pano de fundo para os acontecimentos da vida de Yuri Zhivago (Omar Sharif) e o filme é um pouco cansativo, mas a bela fotografia que destaca as paisagens da Rússia e a trilha sonora salvam o longa.

Às vésperas da 2ª Guerra Mundial, a Guerra Civil Espanhola (1936-39) dividiu o mundo entre duas correntes ideológicas. Após uma crise da monarquia, inicia-se a Segunda República espanhola e a Frente Popular, de esquerda, vence nas eleições de 1936, o que provoca grande descontentamento por parte da direita, que em 16 de julho daria início à Guerra Civil com um golpe militar, na tentativa de derrubar o governo democraticamente eleito. Tendo apoio da Igreja Católica, do Exército e dos latifundiários, o grupo rebelde, liderado por Francisco Franco, buscava implantar um regime fascista na Espanha.

Enquanto os rebeldes tinham apoio dos poderosos exércitos alemão e italiano (de Hitler e Mussolini), a Frente Popular contou apenas com ajuda da URSS e das Brigadas Internacionais, compostas por militantes socialistas de todo o mundo, além do apoio de intelectuais de vários países. Os diversos problemas de organização interna e a carência de armas e suprimento não puderam fazer frente ao exército de Franco, que assumiu o poder em 1º de abril de 1939. Esta movimentação e o drama da Frente Popular e dos voluntários que se aliaram à luta na Espanha foram retratadas no filme Terra e Liberdade (1995), que conta a história de um inglês que se junta aos espanhóis em defesa de seus ideais democráticos.

A segunda guerra

world-war-2Exatos 5 meses após o termino da Guerra Civil Espanhola, o exército alemão invadiria a Polônia, dando inicio à 2ª Guerra Mundial. De setembro de 1939 à maio de 1945, a guerra arrasou a Europa, a Rússia, o Japão e passou por algumas ilhas do Pacífico, sendo tema de vários filmes que abordam o holocausto, o extermínio de judeus, o desastre atômico japonês, as batalhas em si ou a destruição dos países e as conseqüências que enfrentaram.

Dentre os filmes sobre este período, é interessante perceber como Casablanca (produzido em 1942), apesar da aparência de simples romance, defende os ideais dos Aliados (maior parte da Europa, Rússia e, posteriormente, EUA) em detrimento do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e seu final, visto hoje, pode ser considerado como uma profecia de que tudo daria certo para os Aliados. Ainda bem que deu, caso contrário este filme provavelmente teria sido banido das locadoras!

O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin foi o primeiro filme a denunciar as atividades da Alemanha nazista. O comediante, que não gostava de filmes falados, brilhou nesta sátira, com direito a discurso imitando Hitler e monólogo em defesa dos direitos humanos em plena Segunda Guerra.

Nos filmes produzidos posteriormente é comum vermos retratos da destruição e sofrimentos provocados pela guerra, como em O Pianista, em que Adrien Brody interpreta um pianista judeu e polonês que se esconde em guetos e passa por situações terríveis para fugir aos alemães, sobrevivendo assim até o final da guerra.

Neste meio, destacam-se filmes que despertam sutilezas por traz dos acontecimentos. A Vida é Bela, vencedor de 3 Oscars em 1998, conta a história de um pai que tenta proteger seu filho de um campo de concentração, escondendo-o e inventando que todo aquele cenário é parte de um jogo do qual o menino deve sair campeão.

No recente Um homem bom (Good), um professor universitário se deixa enredar pela ideologia nazista até o momento em que se olha no espelho e esta usando a farda negra da SS, a guarda especial e de elite nazista. Apesar de ser falado em inglês, este filme mostra um lado importante de como cidadãos bons e comuns contribuíram para a perseguição de judeus e a construção do poder do nacional-socialismo.

O Pós-guerra

Terminada a Segunda Guerra, o cinema salta para temas como a Guerra Fria. Em seu Dr. Fantástico (1964), Stanley Kubrick retrata o louco frenesi da corrida nuclear. A Culpa é de Fidel, coloca uma menininha confusa e dividida entre a educação católica e conservadora que teve e a nova ideologia comunista de seus pais. No Brasil, O Ano em que meus pais saíram de férias coloca com menino que, sem perceber, perdeu seus pais para a ditadura militar, em meio à copa de 1970.

a-vida-dos-outrosA Alemanha dividida e as conseqüências que a imposição de um governo socialista teve sobre Berlim e seus habitantes são tema de A Vida dos Outros (2006, 137 min), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 1984 na Berlim Oriental, o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sielandum, começam a ser vigiados 24h por dia, com escutas e câmeras em seu apartamento. O filme é ágil, apesar das mais de 2h, e traça um retrato da situação vivida por intelectuais e artistas na Alemanha oriental pós-guerra.

Se na 1ª GM Daniel Brühl interpreta o comandante da frente alemã (em Feliz Natal), agora no final do século ele volta como Alexander Kerner, um jovem que busca proteger sua mãe das fortes emoções que ela pode ter ao saber da queda do muro de Berlim, em Adeus, Lênin! (2003). O filme retrata a transição que a Alemanha oriental sofreu após a queda do muro, em 1989, e o impacto que as mudanças tiveram sob os cidadãos alemães.

Para finalizar, o documentário Nós que aqui estamos por vós esperamos compõem um mosáico de memórias do século XX, com cenas de arquivo, memórias de personalidades e pessoas comuns. O retrato político cotidiano pode ser visto, de forma satírica, nos dois últimos filmes dos irmãos Coen, Queime depois de Ler e Onde os Fracos não têm Vez, que retrataram nosso mundo (com foco nos EUA) de forma bem humorada e ao mesmo tempo cruel. Críticas divertidas e ácidas que merecerão ser lembradas em futuros artigos sobre a história nos cinemas.

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Maestro… O filme, por favor!

22/Setembro/2008 · 2 Comentários

Felipe Marques

Quando se fala sobre David Bowie, o título de “Camaleão do Rock” é mais do que merecido (Ziggy Stardust, sua persona intergaláctica, que o diga). Mas não custa lembrar que as habilidades camaleônicas de Bowie vão muito além do reino musical. Seu Rei-Duende, vilão do cultuado filme “Labirinto”, dirigido Jim “Muppets” Henson, habita o imaginário de milhares de pessoas mundo afora. Seu Pôncio Pilatos recebeu a benção de Martin Scorcese para condenar (e quase flertar com) o Jesus Cristo vivido por Willem Dafoe em “A Última Tentação de Cristo”. Com papéis tão significativos quanto esses, David Bowie é um exemplo bem-sucedido de um fenômeno característico do show business: a transformação de cantores em atores e vice-versa.

“Quando se escuta a sua voz, só sua voz, já se pode escutar uma história; por isso, gosto dela; por isso, quis fazer um filme com ela.” Essa é a justificativa de Wong Kar-Wai para a contratação da cantora de jazz Norah Jones para o papel de protagonista em “Um Beijo Roubado”, primeiro filme em língua inglesa de um dos maiores cineastas da Hong-Kong atual. Outro exemplo de um diretor cultuado que decidiu encara o desafio de trabalhar com uma personalidade musical foi Lars Von Trier, no seu ame-ou-odeie “Dançando no Escuro”. Protagonizado pela cantora islandesa Bjork, “Dançando no Escuro” conta com uma sólida performance da atriz principal e com uma rica história de bastidores. Diferentemente de Kar-Wai e Norah Jones, o relacionamento entre Von Trier e Bjork foi, segundo as más línguas da época, marcado de desavenças. A cantora teria chegado a afirmar que depois da experiência jamais trabalharia em outro longa-metragem novamente.

Ainda que Bjork não tenha se sentido muito a vontade com o jogo de poder do mundo cinematográfico, existe uma série de estrelas da música que parecem ter um dom natural para lidar com ele. Will Smith, por exemplo, migrou de uma razoavelmente bem-sucedida carreira no hip hop para um lugar no panteão das divindades hollywoodianas. Smith também foi capaz de combinar perfeitamente as duas funções: além de atuar como o agente J em “MIB: Homens de Preto”, sua contribuição para a trilha sonora do longa, “Gettin’ Jiggy Wit It”, ocupou o primeiro lugar das paradas musicais de 1998. Smith também já foi duas vezes indicado ao Oscar de melhor ator por “Ali” e “Em Busca da Esperança”. Nada, porém, comparado a Cher e Frank Sinatra, dois egressos do meio musical que não só foram indicados como levaram a estatueta para casa. Cher ganhou o de melhor atriz por “Feitiço da Lua” e Sinatra o de melhor ator coadjuvante por “A Um Passo da Eternidade”. Recentemente, a novata Jennifer Hudson, saída do reality show musical “American Idol”, também ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em “Dreamgirls”.

Ainda que não tenham ganhado Oscar nenhum e que sua passagem pelo cinema tenha sido um tanto controversa, é inegável que Elvis Presley e Maddona deixaram suas marcas tanto na música quanto na tela grande. Presley em “Coração Selavagem” e Maddona em “Evita” são exemplos de atuações memoráveis dos dois artistas. Elvis merece menção honrosa por ter feito um total de 33 filmes, sendo que a maioria era mera tentativa de comercializar cinematograficamente o sucesso e o carisma do Rei.

Falando em Rei, é impossível não citar as três aventuras juvenis do nosso Rei, Roberto Carlos, no cinema. “Em Ritmo de Aventura”, “A 300 Quilômetros por Hora” e “O Diamante Cor-de-Rosa” têm clima de superprodução, com direito a efeitos especiais e, até mesmo, cenas gravadas na NASA. “Em Ritmo de Aventura”, o Rei até dispensou dublês nas cenas em que um carro é içado por um guindaste ou em que um helicóptero atravessa um túnel. Roberto Carlos, contudo, parece ser uma exceção no cenário nacional, em que os músicos que se aventuram no cinema desafinam feio. Alguns exemplos de doer os ouvidos (e o bom senso do espectador) são: “Acquaria”, de Sandy & Júnior; “Vamos Dançar Disco Baby” e “Aluga-se(sic) Moças”, da cantora brega Gretchen e “Uma Escola Atrapalhada”, que conta com Polegar, Angélica e Supla.

Voltando para águas internacionais, outros exemplos de cantores/atores e vice e versa são: Jack Black, protagonista do genial “Por favor, Rebobine” (em cartaz), com sua banda Tenacious D (sobre a qual já fez até um “documentário”); a estrela latina Jennifer Lopez; a bela Scarlett Johanson, estrela de filmes como “A Ilha” e “Match Point”, que recentemente lançou um CD em que canta Tom Waits (músico também com carreira no cinema); Jared Leto, de “Réquiem Para um Sonho”, vocalista da banda emo “30 Seconds To Mars” e boa parte do elenco do sucesso musical da Disney “High School Musical”, que, apesar da qualidade questionável, lançou cantores teens campeões de venda. Ao que parece, a tendência de migração música-cinema, cinema-música tem mantido forte até os dias de hoje, sem dar sinal de esgotamento. Talvez, lugar de músico não seja exatamente no palco

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Filmes que valem ouro (ou não)

12/Agosto/2008 · 1 Comentário

Bruno Benevides

Começou a Olimpíada de Pequim e o Cinéfilos, é claro, entrou no clima. Para celebrar o evento preparamos um especial sobre o esporte no cinema. Vamos mostrar quais filmes merecem medalhas de ouro e quais deveriam ganhar a de latão.

 

 

Os americanos são apaixonados por esporte e cinema e aproveitam para juntar duas paixões nacionais e encher as telas de filmes sobre o assunto, com todos os esportes que você pode imaginar. Tem futebol (Papai bate um bolão), beisebol (Por amor), automobilismo (Alta velocidade), patinação (Um casal quase perfeito), hóquei (Milagre no gelo), tênis (Wimbledon – O jogo do amor), basquete (Coach Carter – Treino para a vida), surf (A onda dos sonhos), futebol americano (Virando o jogo) e por aí vai.

 

 

Estes filmes costumam soar iguais, seguindo a fórmula da equipe desacreditada que se transforma com a chegada de um novo técnico, ao mesmo tempo que precisa tomar cuidado com as tentações (dinheiro, sexo, doping) que surgem no caminho. Quando o esporte é individual há alguma variação sobre o mesmo tema, geralmente incluindo uma história de amor. Os gêneros também podem alternar, indo da comédia (Jamaica abaixo de zero) ao drama (Tudo por dinheiro), passando também pela animação (Space Jam) e pelo romance (Amor em Jogo).

 

É claro que nem todos os filmes de esporte seguem esta receita. Os melhores exemplos vêm do boxe. Sem contar a inesquecível (para o bem e para o mal) série Rocky, outras grandes obras trataram do assunto. Do tema saíram clássicos como Menina de Ouro, de Clint Eastwood, que mergulhou no universo do boxe feminino e de lá saiu com o Oscar de melhor filme em 2005. Também é sobre o mesmo esporte que trata Touro Indomável, a biografia do ex-lutador Jake LaMotta, dirigida por Martin Scorsese e estrelada por Robert De Niro. Aliás o diretor também fez A cor do dinheiro sobre o esporte preferido dos botequeiros, a sinuca.

 

Não podemos deixar de falar do futebol, é claro. Mas aqui a realidade costuma ser melhor do que a ficção, o que favorece os documentários. Boas pedidas são Garrincha, alegria do povo, de Joaquim Pedro de Andrade e Futebol, de João Moreira Salles. O primeiro mostra uma época do esporte que não existe mais e o segundo traz os desafios de aspirantes, profissionais e ex-jogadores no mundo de hoje. E para quem ama futebol sempre vale a pena ver os filmes do Canal 100, que entre as décadas de 1960 e 1980 levou para as telas de cinema a beleza do jogo. Uma última boa dica são os filmes oficiais das Copas do Mundo, principalmente Todos os corações do mundo, sobre o torneio de 1994. Na ficção O milagre de Berna, que reconta a histórica vitória alemã na Copa do Mundo de 1954, é uma das poucas que merece ser vista, enquanto a superprodução Gol! é uma das muitas que não merece.

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Convite para cair na estrada – e desbravar duas Américas

5/Agosto/2008 · 1 Comentário

Mariana Franco

As férias já acabaram, e aí bate aquela vontade de fazer (e ter feito) alguma coisa, viajar, se divertir. Agência de viagens, avião, hotel e guia turístico pode ser o mais comum, mais prático, mais seguro. Mas nada como botar, de verdade, o pé na estrada.

Calça jeans velha e surrada, a vida com o pouco que se pode levar sobre duas rodas, a liberdade do vento batendo no rosto, a estrada à frente com as mais diversas paisagens, as aventuras que se escondem atrás de cada curva: o suficiente para se compor uma epopéia – ou um bom road movie.

Além de tudo isso, é preciso, evidentemente, um bom roteiro de viagem. Os roteiros aventureiros interessantes podem ser muitos, mas alguns são especiais. Que tal conhecer dois dos mais famosos, que inspiraram dois grandes filmes e muitos aventureiros de verdade que os seguem até hoje? Longas viagens de descobrimento de um continente: duas rotas diferentes de travessia da América.

A primeira travessia da América é na verdade a travessia dos Estados Unidos. De costa a costa, oeste a leste, no caminho inverso do que fizeram os colonizadores. Partimos em duas Harleys Davidsons estilo chopper, a Capitão América e a Billy Bike – talvez as mais famosas do mundo – como fizeram Dennis Hopper e Peter Fonda em Easy Rider – Sem Destino.

Saímos de Los Angeles, Califórnia, em direção ao interior. Uma parada em Las Vegas, para curtir a noite e seus infindáveis cassinos é imprescindível. Seguimos pelas estradas do Arizona e Novo México. São grandes retas cortando o plano deserto americano. Paisagens irrestritas para pensamentos e ações.

O mais clássico cenário dos road movies: viajar por essas estradas é entrar em contato com o conceito de liberdade em seu estado mais puro. Tomamos a Hwy 160 para uma parada na pequenina cidade de Taos, Novo México, onde Dennis Hopper morou por 15 anos, e onde foram rodadas algumas cenas do filme. Lugar para curtir a culinária local, desde tortas de maçã quentinhas ao apimentado tempero da comida mexicana.

estrada em taos, novo méxico

Seguimos cortando o grande estado do Texas. No fim dos anos 60, quando Easy Rider foi rodado, Hopper, o diretor, foi aconselhado a não filmar no estado devido à grande violência que lá estava ocorrendo. Nada, entretanto, o fez mudar de idéia. As paisagens texanas continuam, então em nosso roteiro.

Seguimos pelas margens do Mississipi, entrando na Louisiana. Depois de tanta estrada, terminamos a viagem em, é claro, festa! Chegamos em New Orleans a tempo de apreciar os desfiles de mascarados do festival de Mardi Gras, uma espécie de carnaval. Mas sem samba ou (alegre-se!) axé.

Se no primeiro roteiro exercitamos o nosso inglês, agora é hora de apostar no “portunhol”. Uma viagem de descobrimento da América do Sul. Vamos na garupa de Ernesto Guevara de La Serna (Gael Garcia Bernal) e Alberto Granado (Rodrigo de La Serna). Se antes viajávamos confortavelmente em duas Harleys, agora
nos aventuramos ainda mais em uma Norton 500 modelo 1939. Caindo aos pedaços. É “La Poderosa”!

Essa viagem, verdadeira, é contada nos livros “Notas de Viaje”, de Che Guevara e “Con El Che por Sudamerica”, de Granado. A partir das memórias desses livros, foi retratada por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta.

Saímos de Buenos Aires, Argentina. Um pequeno desvio de rota até Miranmar, Argentina, para aproveitar a bela estância “suíça” em pleno país hermano. A propriedade é dos pais de Chinchina, namorada de Ernesto. De volta à estrada, a viagem começa de verdade.

A passagem pela Patagônia, Argentina, é marcada por estradas de terra e paisagens rurais. Seguimos pela região dos lagos, tomando cuidado com o frio e o vento que acometem  a área. Temos uma rápida passagem por Bariloche, apenas para descansar pela noite.

Passamos para o Chile atravessando o Lago Frías. Começamos então a subir a Cordilheira dos Andes, com previsão de muito frio e até mesmo neve. As paradas nas pequenas cidades como Tenuco e Los Angeles podem ser boas para cortejar as belas chilenas ou só conhecer as pessoas da cidade. A essa altura da viagem, nossos companheiros Ernesto e Alberto perdem a sua Poderosa, mas com sorte nós podemos ir numa moto mais nova e menos remendada. Descendo as ladeiras tortuosas de Valparaíso, Chile, paramos um pouco para preciar a paisagem à beira do lago às margens do qual está a cidade.

Seguimos por regiões áridas e cada vez mais altas até a entrada no Peru. Encontramos no caminho muitos indígenas. Chegando ao ponto alto de nossa viagem temos Cuzco, antiga capital do Império Inca, com seus muros de pedra. Aproveitamos para conversar com os nativos e aprender a mascar folhas de coca. Logo em seguida, por escadas tortuosas, temos a grandiosidade de Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas. “É possível sentir nostalgia de um mundo que você não conheceu?” É o que se pergunta Ernesto, percorrendo as ruínas da cidade.

Continuamos a jornada até a capital, Lima. Hora de se  recompor na “civilização” para mais um trecho de estrada. Ou melhor, de rio, porque agora pegamos carona no Amazonas até o leprosário de San Pablo, na amazônia peruana. Ok, talvez você não tenha tantos instintos médicos e queira pular essa parte da viagem. Então atravessamos rapidamente a Colômbia e seguimos direto para Caracas, Venezuela. Lá, depois de tanta estrada, (afinal são 12425Km) acho que você vai concordar comigo em tomar um avião para casa, não?

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Grandes casais da sétima arte

7/Julho/2008 · 5 Comentários

Tulio Bucchioni

Eles podem se encontrar numa entrevista de emprego ou numa simples calçada lotada num dia comum. Os encontros são tão aleatórios quanto os desencontros. As brigas são tragédias gregas – com direito a rios de lágrimas, tapas na cara, gritos histéricos ou frases de efeito intercaladas por soluços abafados ou saídas repentinas. As aventuras, verdadeiros sonhos que, nem que seja por algumas horas, trazem ainda mais adeptos à filosofia do carpe diem. Os percalços reforçam a busca por soluções para os simples problemas amorosos alheios, os beijos são de tirar o fôlego e levam qualquer casal de namorados a refletir sobre a quantas anda seu relacionamento. O que eles tem em comum? São casais consagrados no cinema e, por mais que muita gente ache que esse tipo de coisa acontece “só em filme”, há quem garanta que já viveu coisa parecida ou que de fato as histórias dos grandes casais do cinema foram realmente baseadas na vida real.

Quem não gostaria de ter o prazer de cantar junto com seu amado ou amada “Come What May”, no alto do “elefante”, dentro do Moulin Rouge, no auge do glamour da Paris boêmia do século 19? Isso só para Satine e Christian, um dos casais mais intensamente efêmeros que o cinema já viu, interpretados por Nicole Kidman e Ewan McGregor em “Moulin Rouge”. Para os mais românticos, não dá para deixar de lado a águinha-com-açúcar protagonizada por Richard gere e Julia Roberts em “Uma Linda Mulher”, em que um rico empresário se apaixona por uma prostituta bonitona e acaba tirando-a das ruas. Se isso ainda parecer pouco para você, fique de olho na “Sessão da Tarde” e dê um jeito de assistir à próxima exibição do filme “Ghost- Do Outro Lado da Vida”, com Demi Moore e Patrick Swayze, um clássico imperdível – com destaque para a tocante cena do casal em volta da escultura de barro. Outro casal eternizado foi Jack e Rose, de “Titanic”, interpretados por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. A cena do casal de braços abertos na proa do navio é considerada uma das cenas românticas mais lindas já produzidas.

Casais Clássicos

Voltando no tempo, não podemos nos esquecer dos casais clássicos. O que seria de Audrey Hepburn no filme “Bonequinha de Luxo” sem o beijo final, debaixo de chuva, em George Peppard? De nada adiantaria a frase “We’ll always have Paris” caso não fossem Humprhey Bogart e Ingrid Bergman que estivessem frente a frente e em perfeita sintonia. Também não tem como não se emocionar com os intransponíveis obstáculos amorosos entre Rhett Butler e Scarlett O’Hara, vividos por Clark Gable e Vivien Leigh em “…E o vento levou”. Mais pobre certamente seria o cinema caso não pudesse contar com a parceria entre Ginger Rogers e Fred Astaire que resultou em dez filmes musicais. Eles cantavam e dançavam e, como bem traduziu Katharine Hepburn: ele dava classe a ela, ela sex appeal a ele.

Quanto Mais Quente…

Os casais mais “calientes” também deixaram registrado seu espaço no mundo do cinema. Sharon Stone nunca mais foi a mesma depois da sensual cruzada de pernas em “Instinto Selvagem”, parceria bem-sucedida e ícone de sensualidade com Michael Douglas. O mesmo se pode dizer para o casal Jolie-Pitt, que provavelmente não viria a se casar e muito menos a criar seis filhos juntos, caso não fossem marido e mulher em “Sr. e Sra. Smith”. Pobre Jennifer Aniston. Em “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” John Travolta e Olivia Newton-John também demonstram uma enorme empatia. Os super-heróis tampouco ficam atrás no quesito romance: Tobey Maguire e Kirsten Dunst, respectivamente o Homem-Aranha e M.J., e o famoso beijo na chuva em “Homem-Aranha” inspiraram milhões de apaixonados.

Fofos

Os casais fofos têm espaço garantido: Reneé Zellwegger e Colin Firth em “Brigdet Jones”, Macaulay Culkin e Anna Chlumsky em “Meu primeiro amor”, Charlize Theron e Keanu Reeves em “Doce Novembro”, Shrek e a princesa Fiona. Para dizer no mínimo excêntrico, temos que citar Edward e Kim, interpretados por Johnny Depp e Winona Ryder em “Edward Mãos-de-Tesoura”. Quem não se lembra, nem que seja vagamente, da cena de Winona, com os cabelos ruivos e longos cobertos de flocos de neve, dançando ao observar Edward fazer uma escultura de gelo?

Difíceis Amores

Talvez os mais emocionantes à medida que na maior parte das vezes não têm um final feliz, os amores impossíveis estão entre os mais apreciados pelo público em geral- e há quem garanta que estes são os mais parecidos com a vida real. Quantas almas solitárias não se solidarizaram com o dilema vivido por Francesca, interpretada por Meryl Streep, com relação ao seu amor pelo fotógrafo, vivido por Clint Eastwood, em “As Pontes de Madison”? O amor entre os vaqueiros Ennis del Mar e Jack Twist em “Brokeback Mountain” e a complexidade de uma relação amorosa entre dois homens, em meados dos anos 60 até o começo dos anos 80, deu não só uma guinada nas carreiras de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, como solidificou um novo patamar na abordagem da homossexualidade nas telas do cinema.

Vida Real

Nada melhor do que os casais de dentro e fora das telas para exemplificarem que a química existente nos filmes pode, sim, se transpor para a realidade. Elizabeth Taylor e Richard Burton, o polêmico casal que protagonizou juntos nada menos do que onze filmes, dentre eles “Cleópatra” e “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, é referência nesse quesito; Lauren Bacall conheceu Humprhey Bogart nos sets de “Uma aventura na Martinica” e dali em diante, o casal viveu só felicidades até a morte do ator, em 1957, vítima de câncer. O divertido diretor norte-americano Woody Allen, também é um exemplo oportuno deste tipo de relação: depois de um relacionamento com Diane Keaton – que lhe rendeu oito filmes e um Oscar de melhor atriz. Allen passou a viver com Mia Farrow, que por sua vez, também estrelou vários filmes do diretor.

Seria difícil prever o que leva um casal de atores a agradar quando entra em cena. Tampouco é possível listar fatores que podem determinar uma parceria de sucesso. Não necessariamente nessa ordem, e não necessariamente todos juntos, pode-se supor que carisma, um bom roteiro, com boas cenas e bons diálogos e uma boa interpretação são determinantes para um casal agradar o público. O espectador gosta de se identificar e de se sensibilizar com o que é mostrado nas telas e nada melhor do que um grande amor bem elaborado para evocar o que existe de mais puro no ser humano: a busca pela felicidade. Do cinema, a vida adquire este prazeroso legado, que seja tão bem aproveitada quanto o é nas telas.

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