Cinéfilos – Apaixonados por Cinema

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Apenas um controverso prólogo

30/Outubro/2008 · Deixe um comentário

Mariana Franco

JFK – A Pergunta que Não Quer Calar, do diretor Oliver Stone, foi um dos mais polêmicos filmes políticos já lançados até hoje. Tanto que foi incluído em quinto lugar na lista dos 25 filmes mais controversos de todos os tempos, feita pela Enterteinement Weekly em julho de 2006.

O assassinato de John Kennedy, ocorrido em 22 de novembro de 1963 deixou muitas dúvidas pairando no ar. Dúvidas que perduram até hoje. O presidente desfilava numa limusine conversível pelas ruas centrais de Dallas, Texas, quando foi atingido por dois tiros, vindos supostamente das janelas do sexto andar de um depósito de livros da rua. As investigações oficiais, cercadas de mistérios e fatos não esclarecidos, concluiu que o assassinato foi obra solitária de Lee Harvey Oswald, militar, na época desempregado, simpatizante do comunismo e desequilibrado mental. A maioria da população americana, entretanto, até hoje não acredita nessa versão dos fatos.

Lee Oswald na foto supostamente manipulada pela revista Life

Lee Oswald na foto supostamente manipulada pela revista Life

Diversas teorias conspiratórias foram desenvolvidas paralelamente à oficial, e são elas que ganham espaço sob os holofotes no filme de 1991, quase três décadas depois do ocorrido. Stone baseou-se nos livros Crossfire: The Plot that Killed Kennedy, de Jim Marrs, e On The Trail of the Assassins, de Jim Garrison; utilizando ainda o trabalho de mais 24 pesquisadores. Com todo esse material construiu uma narrativa que engloba diversas teorias pelo olhar de Garrison, promotor judicial que, sozinho, com uma pequena equipe, promoveu investigações sobre o caso.

Diz-se do diretor, que sempre teve uma preferência por temas polêmicos, que teria grande admiração por Garrison e pelo trabalho que fez. As polêmicas circundaram o filme desde o início das gravações.

Para interpretar Jim Garrison, primeiramente cogitou-se Harrison Ford e depois Mel Gibson, mas ambos recusaram o papel devido ao envolvimento político do filme. Só então chegou-se a Kevin Fostner. Curiosamente, o verdadeiro Jim Garrison também participa do filme, interpretando o juíz Earl Warren.

Kevin Costner

Kevin Costner

O verdadeiro Jim Garrison

O verdadeiro Jim Garrison

Na época da estréia, diversas revistas influentes, como “Time”, “Life”, “Neewsweek”, e a brasileira “Veja”, dedicaram ao diretor e ao filme reportagens de capa.Grande parte dos comentaristas políticos dos EUA acusaram Stone de mentir deliberadamente, apresentando como verdade uma série de boatos jamais comprovados.

A onda de acusações foi tão forte que o diretor admitiu até não descartar a possibilidade de atentado contra ele. Devido a tantas controvérsias, a viúva de Kennedy, Jacqueline Onassis, assim como a maior parte do clã Kennedy, declarou que não assistiria ao filme.

Apesar disso tudo, o filme apresentou uma espécie de “verdade emocional”, como definiu o crítico de cinema Roger Ebert, dando ao público norte-americano o que as investigações oficiais não conseguiram: respostas. Qualquer pesquisa popular feita hoje confirmaria que a maioria da população acredita mais na versão de Oliver Stone do que no resultado oficial.

A versão da obra exibida nos cinemas teve 189 min, mas a versão do diretor, que temos disponível em DVD, conta com 206 min; e as edições duplas contam ainda com 55 min de cenas extras. Foram utilizadas na composição diversas técnicas de filmagem, e também cenas reais. O vídeo amador feito por Abraham Zapruder, que flagra o exato instante do assassinato, foi utilizado diversas vezes durante o filme.

A caixa do DVD comercializado aqui vem com uma declaração e Oliver Stone, em que ele enfatiza a necessidade de mudança e da busca pela verdade. Nos créditos do filme, ele é dedicado aos jovens, que conhecerão, em 2038, quando os arquivos sigilosos do caso forem abertos ao público, a verdade do mistério JFK. Nas palavras do diretor, o passado é apenas um prólogo do que está por vir.

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Rock’n’Roll Primary School

24/Setembro/2008 · 1 Comentário

Felipe Maia

School of Rock é um filme que mexe com meus ânimos. Confesso: Rock é a música que fala mais alto com meu coração e com meus ouvidos. Não há nada melhor que uma guitarra entre overdrives e virtuoses, o grave melódico de um baixo, uma bateria carregada e um vocal de personalidade. Muitos tentam fazer algo próximo disso. Poucos conseguem. Esses, os clássicos, são os verdadeiros mestres da Escola do Rock. São professores como Eric Clapton, John Bonham, Joey Ramone e Stevie Nicks, que inspiram o Sr. Schneebly (Jack Black) e fazem os atores-mirins gritarem: School’s Out!

Sendo impossível falar do filme sem falar de música, não vou lutar contra o gradiente. Afinal, foi ela que incitou a idéia de uma banda de rock formada por alunos bem-comportados e um professor nem tanto. Você há de concordar que andar pelado pelo corredor e escutar “uns róque” no último volume não são coisas muito comportadas. Pois era isso que o vizinho Jack Black fazia, segundo o roteirista Mike White. Dessa visão do inferno surgiu a idéia do filme, com a qual Black logo se empolgou, sabendo que poderia tocar suas músicas preferidas na telona. Não obstante, Jack Black também tem sua banda, a Tenacious D.

Comparado às crianças do filme, o Jack Black músico é um ótimo ator. Ele mesmo (quase) diz isso. Toda a molecada que forma a banda realmente toca seus instrumentos ou canta. A maioria tem ou teve projetos musicas, como as bandas de Joey Gaydos (o guitarrista Zack Mooneyham) e Kevin Clark ( o baterista Freddy Jones). Para completar o crew do som temos o diretor musical Randall Poster, que tem uma lista enorme de trabalhos, incluindo a série Lost e o filme Kids.

Então, quando você pensa que não dá pra falar mais de música, você descobre que está certo. Não fosse o fato de a banda Mooney Suzuki participar das filmagens; à exceção de mais de mil pessoas terem pedido ao Led Zepellin para liberar o uso da canção Immigrant Song na trilha sonora; e excluindo que o ator Lucas Babin (um dos guitarristas da No Vacancy) lançou um cd (?) na sua estada no Brasil (??), quando gravou a novela América (!!!). Felizmente o assunto música para Jack Black e turma não parece estar saturado. Não é à toa que vem a continuação do filme. Que continue, também, a herança das lendas do Rock’n’Roll. Longa vida ao bom, velho ou novo, mas verdadeiro Rock! — dentro e fora do cinema.

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Levante um braço, levante o outro, dobre uma perna pra cima… se equilibre…

11/Agosto/2008 · Deixe um comentário

Mariana Franco

Nem tente me enganar, eu sei que algum dia você já tentou  imitar esse golpe em casa. Sim, porque Karate Kid hoje pode até ser considerado um filme bobo como tantos outro da sessão da tarde, mas ele marcou a infância de muita gente que cresceu nos anos 80.

Karate Kid: A Hora da Verdade teve um grande sucesso por causa da combinação de drama adolescente, ensinamento da filosofia oriental, cenas de luta (óbvio!), e ao perfeito entrosamento de Pat Morita e Ralph Machio nos papéis de mestre e pupilo. Morita, entretanto, quase ficou sem o papel que marcaria sua carreira: inicialmente foi rejeitado  nos testes pois havia uma política no estúdio de não contratarem comediantes (o ator havia começado a carreira contando piadas em clubes noturnos e programas de auditório). Por fim, não houve nenhum pretendente a Sr. Miyagi tão bom quanto ele.

Outra curiosidade no escalamento de atores: Chuck Norris foi convidado para interpretar o treinador John Kreese (o professor da academia de karatê “do mal”), mas recusou a oferta, pois não queria que professores de karatê fossem mostrados como figuras antipáticas. Em seu lugar, foi escalado Martin Kove.

O sucesso todos sabem que foi espantoso: o filme rendeu a bagatela de US$ 90.815.588, só nas bilheterias dos EUA. Com tanto lucro merecia continuação. E teve: três!

Pat Morita foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por seu mestre de karatê. Isso com certeza influenciou para que em Karate Kid II – A Hora da Verdade Continua o personagem do Sr. Miyagi ganhasse mais espaço na história. A fórmula geral, não se modificou muito em comparação ao primeiro filme,
mas as lutas e desafios dos protagonistas se intensificam. Mais um sucesso de público e  indicação ao Oscar de melhor canção original com The Glory of Love.

Karate Kid III – O Desafio Final tem um enredo mais diferenciado que os anteriores, nem mesmo a relação entre os queridos mestre Miyagi e pupilo Daniel-San são mais as mesmas. Não chegou a ser um fracasso, a força da série ainda levou muita gente aos cinemas, mas ao invés de indicações ao Oscar, o filme recebeu cinco indicações à Framboesa de Ouro, incluindo pior filme, pior roteiro e pior direção.  Depois dessa edição Ralph Machio aposentou o kimono de Daniel-San; afinal também já tinha 27 anos e ainda encenava um adolescente.

Quando não se imaginava mais uma volta da série, aparece The Next Karate Kid, com o Sr. Miyagi de volta às lições, dessa vez com uma menina! Foi quase uma paródia dos predecessores, mas ainda teve sua força. Ao menos  podemos afirmar que o Sr. Miyagi formou bem a pupila Hilary Swank, que depois voaria mais alto que os golpes de karatê, nos premiados Meninos Não Choram e Garota de Ouro.

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Em Busca de Thelma e Louise

30/Julho/2008 · Deixe um comentário

Felipe Marques

Quem não se lembra da mãe solteirona e descolada vivida por Cher em “Minha mãe é uma sereia”? Ou de Jodie Foster como Clarice Starling em “O Silêncio dos Inocentes”? Agora imagine essas atrizes num Ford Thunderbird 1966, conversível, fugindo da polícia, encontrando um cowboy vigarista vivido por George Clooney e sendo dirigidas por Richard Donner, diretor do Superman original. Ainda que hoje esse road movie só exista na imaginação, por muito pouco não virou aquilo que conhecemos por Thelma & Louise. Sob o capô do filme de 1991 existe muito mais do que motores, pistões ou engrenagens.

A começar pela polêmica envolvendo a escolha das protagonistas: Jodie Foster e Michelle Pfeifer já estavam escaladas para os papéis centrais de Thelma e Louise, que seria apenas produzido por Ridley Scott. Contudo, o tempo necessário para convencer Scott a trocar a cadeira de produtor pela de diretor inviabilizou a participação das duas atrizes no projeto. Já Meryl Streep e Goldie Hawn, que buscavam um filme para estrelar juntas, acabaram preferindo “A Morte lhe Cai Bem” ao road movie. Os nomes de Holly Hunter e Frances McDormand também foram citados para dar vida às protagonistas, e até mesmo Cher recebeu um convite para interpretar Thelma. A certa altura, a busca por protagonistas estava tão complicada que Geena Davis, que já havia sido contratada para o papel de Thelma, foi obrigada a assinar um contrato no qual se comprometia a interpretar qualquer uma das personagens principais se assim a necessidade exigisse.

Outra dificuldade relacionada ao elenco era o papel do vigarista JD. Interpretado na versão final por Brad Pitt, o papel que alavancou sua carreira em Hollywood seria originalmente interpretado por William Baldwin. O mais curioso é que Baldwin desistiu do papel em prol de protagonizar o filme “Cortina de Fogo”, projeto em que Pitt também estava envolvido antes de ser contratado para viver o cowboy de Thelma & Louise. George Clooney também fez uma série de testes na esperança de conseguir o papel. Uma curiosidade sobre as cenas quentes protagonizadas por JD e Thelma, que culminaram com a moça acordando na manhã seguinte apenas para descobrir que havia sido roubada, é que o diretor Ridley Scott acreditava que seria necessário contratar um dublê de corpo para Geena Davis. Ao saber disso, a atriz procurou o diretor e lhe disse que ela mesma faria as cenas; ao que parece Davis, assim como todas as mulheres do planeta, também queria tirar uma lasquinha de Brad Pitt…

As filmagens também não foram isentas de episódios singulares. Um dos mais interessantes veio da sugestão do diretor de, em prol de uma maior autenticidade de suas protagonistas, realmente explodir um caminhão em cena, ao invés de filmar separadamente a explosão e as reações. O que Scott não esperava era que de tão surpresas que ficaram assistindo a detonação, Sarandon e Davis se esqueceram de reagir, obrigando-o, mesmo assim, a filmar as reações das duas em outra tomada. O fim da estrada para Thelma e Louise também é um trecho marcado de rumores: reza a lenda que o diretor teve apenas 45 minutos para acertar a cena final, já que a luz havia começado a falhar e um feriado estava se aproximando, o que arruinaria completamente o vazio do cenário.

Outro detalhe marcante é que, por conta de traumas sofridos com filmagens anteriores, Susan Sarandon arrancou de Ridley Scott a promessa de que ele não mudaria o final do filme. Ainda assim, o diretor, como os fãs de Blade Runner e suas milhares de versões alternativas bem sabem, ficou descontente com o final original. Assim, ele substituiu a cena das protagonistas e seu carro mergulhando num precipício ao som de uma melancólica música de B.B. King, por um final mais animador, com uma cena do carro congelado enquanto ainda subia no ar, antes de cair, ao som da trilha sonora de Hans Zimmer. Assim, Ridley Scott manteve para sempre Thelma e Louise na estrada dos sonhos da platéia, dando-lhes um final digno dos grandes road movies do cinema, em que a melancolia e o vazio se encontram com a sensação de aventura e destemor que marca o gênero.

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Qual a receita para uma boa cena de amor no cinema?

26/Junho/2008 · 1 Comentário

Felipe Marques

Quem sabe tudo comece com uma loira escultural capaz de deixar a platéia masculina sem fôlego. Depois, ganhe consistência com a adição de uma boa pitada de canalhice de um dos maiores canastrões do cinema. Então basta uma geladeira, calda de chocolate e cascas de nozes espalhadas pela cama que Voilà!, tem-se um das mais sexies cenas de amor da telona.

A cena em questão é um “clássico” do soft porn, sendo imitada por diversos casais – geralmente, com variados graus de insucesso. Talvez porque a original, protagonizada por Kim Basinger e Mickey Rourke em 9 ½ Semanas de Amor, contasse com algo que a maioria dos casais (espera-se) não conta: o ódio.

Se em cena Basinger e Rourke tinham uma química capaz de deixar o espectador mais animado imerso numa poça de suor (e possivelmente outros fluidos), o relacionamento nos bastidores não era dos mais amistosos. Diferentemente dos casais de contos de fadas de Hollywood que se juntam logo após se conhecerem nas filmagens – vulgo o fenômeno Brangelina – Basinger e Rourke mal conseguiam tomar o mesmo elevador, quem diria extrapolar as peripécias sexuais do filme para a vida real. Basinger, não-fumante convicta, chegou a declarar que beijar Rourke era como “levar um cinzeiro aos lábios”. Rourke, por sua vez, queixava-se de que Basinger era feia e nada sexy, não chegando aos pés de Isabella Rosselini, inicialmente testada para o papel.

Como se o clima de desavenças no set não fosse ruim o suficiente, o diretor Adrien Lyne ainda buscava usar a volatilidade da relação Rourke/Basinger a favor do filme. Reza a lenda que ele formou um “triângulo de desavenças” com o casal protagonista para poder manipular emocionalmente Basinger, de modo que seu humor coincidisse com o de sua personagem no filme. Assim, além de proibir que os dois se falassem fora do set, o diretor também contava a Basinger coisas que Rourke teria dito de modo a produzir nela reações positivas ou negativas sobre o ator, de acordo com a necessidade da cena seguinte. Evidência dessa megalomania manipulativa do diretor seria a forma seqüencial como o filme foi rodado, algo caro e inusitado para os padrões de Hollywood.

A cereja no topo desse bolo de problemas foi a necessidade do diretor “picotar” o filme pouco antes do lançamento. Entre queixas do público sobre a duração e reclamações dos executivos sobre conteúdo“psicologicamente danoso”, um grande número de cenas ficou para sempre trancado nos cofres da MGM. Não que isso fosse afetar a péssima qualidade do filme. 9 ½ Semanas de Amor é infinitamente mais interessante por seus bastidores do que pelo enredo. Uma história que não se sustenta, atuações um tanto duvidosas… E uma Kim Basinger que nada mais é que um dublê de corpo. Esse filme é um exemplo clássico de que no cinema nem tudo é o que parece. Até a mais tórrida cena de amor.

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