Cinéfilos – Apaixonados por Cinema

Entradas do Setembro 2008

Clichê sem clichê

29/Setembro/2008 · 2 Comentários

Ricky Hiraoka

Nenhum fenômeno do mercado editorial americano é ignorado pelos estúdios hollywoodianos. Com Nicholas Sparks não poderia ser diferente. Sparks é, junto com J.K. Rowling, o único autor contemporâneo a ficar mais de um ano na lista de mais vendidos do The New York Times.Em sua curta carreira literária, quatro de suas obras foram transformadas, com grande sucesso, em filmes. O livro mais recente a ganhar as telas é Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe), com Richard Gere e Diane Lane no elenco.

As histórias de Sparks são bem simples e abusam de clichês românticos. Entretanto, o autor tem o dom de encadear os fatos de forma que tudo pareça surpreendente e inesperado. Seu grande mérito consiste em transformar situações excessivamente exploradas em enredos originais capazes de prender a atenção dos leitores. Para isso, ele não lança mão de artifícios como cenas de suspense ou perseguições policiais. Sparks constrói meticulosamente suas personagens, expõem seus conflitos e faz com que até os leitores mais relutantes e insensíveis se envolvam nos dramas. É fácil reconhecer traços semelhantes entre os protagonistas dos livros de Sparks. O difícil é ser indiferente àquilo que eles representam: a universalidade dos sentimentos. O autor consegue falar ao coração das pessoas sem ser piegas ou cafona. Ele resgata um romantismo genuíno, atípico nas obras atuais.

Em Noites de Tormenta estão todos os elementos típicos da literatura de Sparks: personagens solitárias que tentam entender o que fizeram de errado e que desejam reconstruir suas vidas, o improvável e irresistível amor e as contas para se acertar com o passado. No filme, a divorciada interpretada por Diane Lane vai para o litoral a fim de assumir, temporariamente, a administração da pousada de uma amiga. Lá, conhece Paul (Richard Gere), único hóspede do estabelecimento, que foi ao longínquo local por motivos obscuros. Aos poucos, eles vão ganhando intimidade e passam a se olharem com outros olhos. O romance explode quando o casal fica preso na pousada durante uma terrível tempestade que assola a região. Assim como nas outras histórias de Sparks, as personagens encontram a felicidade momentaneamente, alcançando a redenção.

Ao contrário de Sparks, o diretor George C. Wolfe não consegue orquestrar os anseios e os problemas das personagens e o efeito do filme não é tão devastador quanto o livro. Além disso, não há química entre os protagonistas e Gere se limita a uma interpretação preguiçosa, reduzindo Paul ao clichê do péssimo pai que é um excelente profissional. O filme até emociona, mas não arrebata. O resultado fica aquém de outras obras de Sparks que foram adaptadas para o cinema, como Diário de Uma Paixão e Uma Carta de Amor.

Categorias: Lançamentos · Letras na Tela
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O artista e sua música

28/Setembro/2008 · Deixe um comentário

Bruno Benevides

Feito em 1988 o filme Bird transforma em filme a vida do saxofonista americano Charles Christopher Parker Jr, mais conhecido como Charlie Parker ou simplesmente Bird. Garoto negro e viciado em heroína do meio oeste americano, Parker desenvolveu uma maneira própria de tocar o saxofone e se tornou um dos maiores músicos do jazz na primeira metade do século XX.

Para o desafio de levar uma vida tão complexa para a tela nada como um gênio do cinema como o diretor Clint Eastwood, talvez o principal representante do cinema clássico americano na atualidade. Fã de jazz assumido, ele cuida para transformar os intensos 34 anos da vida de Parker em um filme coeso e sensível, que mais do que nos trazer a história de uma vida nos mostra como é um artista.

A difícil tarefa de protagonista coube a Forester Whitaker, que faz com maestria um Parker divido entre o êxtase da música e a depressão das drogas. O resultado é que o mito aqui surge como um homem comum, em eterno conflito e sem saber o caminho trilhar. Apesar de trazer diversas canções de Parker, Bird é um drama sobre a música e seus realizadores e não um musical. Ao final a dedicatória “Este filme é dedicado aos músicos do mundo inteiro” comprova que o mais importante aqui é entender a relação entre o protagonista e a música e como esta moldou o personagem.

No filme predominam os tons escuros e os ambientes fechados, dando a impressão que estamos o tempo todo dentro dos clubes de jazz onde Parker se apresentava. Dessa forma o protagonista está sempre presente e em evidência como se todo lugar servisse como palco não apenas para a sua música, mas também para a vida.

Categorias: Vale a pena ver
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Acordes do Coração

26/Setembro/2008 · Deixe um comentário

Hugo Nogueira

“Humoresque” é o termo que define uma peça musical caracterizada pela leveza e pelo humor. Trata-se de um título extremamente conveniente para uma requintada produção cinematográfica romântica, plena em diálogos cortantes e soluções dramáticas grandiloqüentes, apesar de nem sempre convincentes, protagonizada por Joan Crawford, uma das maiores estrelas de todos os tempos.

O enredo de Acordes do Coração (Humoresque – 1946) aporta as marcas essenciais do melodrama clássico na Golden Age de Hollywood. O jovem e ambicioso violinista Paul Boray (John Garfield) torna-se o protégé de Helen Wright (Joan Crawford), uma rica diletante enredada num tedioso casamento sem amor e cujo marido, Victor Wright (Paul Cavanaugh) mostra-se notavelmente compreensivo tanto frente às infidelidades ocasionais da sua esposa quanto com o ostensivo pendor alcoólico desta. O relacionamento de Paul e Helen, obviamente, evolui rapidamente para algo menos melódico e mais passional com conseqüências trágicas. O egocentrismo possessivo de Helen é duramente golpeado na medida em que Paul, reafirmando sistematicamente uma renitente e inabalável fidelidade à sua arte musical, recusa-se a ser dominado pelos caprichos de sua amante. Quando Helen compreende a natureza destrutiva do amor que a une a Paul, decide pôr fim ao romance de um modo extremo. Na sua derradeira cena, Joan Crawford volta a ser ela mesma e, diante da vastidão do Oceano Pacífico, sob os crescentes acordes do Liebestod de Tristão e Isolda de Wagner, a estrela enfrenta o dilema de sua personagem num emblemático momento do melodrama romântico norte-americano o qual, a despeito dos exageros dramáticos, vale o filme inteiro.

Se, de um lado, o filme se caracteriza por uma atmosfera extravagantemente luxuosa a qual, eventualmente, tende ao kitsch, por outro lado, a história é sempre envolvente e se mantém à altura das expectativas. Embora John Garfield demonstre sua habitual competência no retrato do músico-prodígio, Acordes do Coração é um filme inteiramente construído ao redor de sua protagonista, a mega-estrela de Hollywood, Joan Crawford. Nos filmes de Crawford, o hibridismo entre as personalidades da atriz e da personagem (fenômeno basilar na consubstanciação do estrelato hollywodiano) foi sempre metodicamente levado ao paroxismo – e Joan Crawford, uma estrela personalíssima, jamais decepcionava a audiência que a acompanhou fielmente diante das telas em quase 45 anos de um ininterrupto estrelato. A atriz, sempre subestimada pela crítica especializada e duramente atacada pela rigidez formal de suas interpretações, demonstrava, não obstante, uma invulgar habilidade na composição das inseguranças e vulnerabilidades emocionais da mulher de meia-idade e os roteiros de seus filmes na década de 40 ofereciam-lhe oportunidades incomparáveis de sofrer todo calvário da paixão madura num langoroso esplendor. Invariavelmente os filmes construídos ao redor da persona cinematográfica de Joan Crawford apresentavam a atriz glamurosamente despedaçada pelo ardor romântico: o roteiro correto de Acordes do Coração (parcialmente escrito pelo notável dramaturgo Clifford Odets) não foge à regra. Helen é uma mulher essencialmente frágil e insegura, incapaz de lidar com as complexidades do amor, experimentando todos sabores e dissabores de uma turbulenta paixão. O tom gélido com a qual Crawford provê a ninfomania de sua personagem, a segurança da elocução dramática da atriz e a intensidade de seu rosto extremamente expressivo atravessam o tempo e justificam esta sofisticada obra que, em mãos menos competentes, estaria infalivelmente destinada ao esquecimento.

Acordes do Coração (Humoresque)

1946 – Estados Unidos – 125 minutos – P/B – drama

Direção: Jean Negulesco

Elenco: Joan Crawford, John Garfield, Oscar Levant, J. Carrol Naish

Categorias: Túnel do Tempo
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(Des)construção acertada

25/Setembro/2008 · 2 Comentários

Tulio Bucchioni

Há filmes que são tipicamente europeus: acima de tudo, se resumem a um brilhante e enigmático roteiro. Esse é o caso de Baby Love, um furacão de emoções que coloca em cena uma questão delicada: a paternidade para casais homossexuais. Abordadas de maneira leve, o longa passa por uma série de questões raramente vistas nas grandes produções ocidentais, desde o relacionamento homossexual estável, a relação conjugal e familiar, até as limitações e anacronias sociais e institucionais para lidar com o tema.

Emmanuel, um pediatra interpretado por Lambert Wilson, em fantástica performance, quer ser pai. Philippe (Pascal Elbé), seu companheiro, um advogado contido e até certo ponto imaturo, não quer nem pensar em crianças. “Como uma criança pode ter dois papais?”, Philippe pergunta a Emmanuel. É então que um casal quase perfeito entra em crise. No meio tempo, cai de pará-quedas na vida do casal uma jovem argentina que precisa desesperadamente continuar em Paris, mas cujo visto de permanência está vencido. Emmanuel decide então correr atrás de seu sonho, mesmo que isso signifique separar-se de seu grande amor, Philippe.

Baby Love trabalha, sobretudo, com uma desconstrução cultural. A começar pela construção de duas personagens homossexuais extremamente bem-resolvidas e confortáveis em seus sentimentos, estilo de vida e opção sexual – fato raro de se ver nas telas de cinema. No decorrer do longa, se tornam simplesmente inaceitáveis os percalços que Emmanuel tem que enfrentar para que seu sonho possa se tornar realidade. Delicadamente, o diretor Vincent Garenq consegue desenvolver uma trama emocionante, profunda e absolutamente pertinente. Em seu enredo, Baby Love é capaz de tecer uma história dramática sem perder a comicidade e principalmente sem cair nos exageros tão recorrentes em outras abordagens do tema. Um filme importante, que leva à reflexão não por ser militante ou por chocar a platéia, mas sim por construir personagens e situações que de tão naturais parecem encantar e questionar o espectador: para que tanta polêmica em torno de tão pouco?

Categorias: Lançamentos
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Rock’n’Roll Primary School

24/Setembro/2008 · 1 Comentário

Felipe Maia

School of Rock é um filme que mexe com meus ânimos. Confesso: Rock é a música que fala mais alto com meu coração e com meus ouvidos. Não há nada melhor que uma guitarra entre overdrives e virtuoses, o grave melódico de um baixo, uma bateria carregada e um vocal de personalidade. Muitos tentam fazer algo próximo disso. Poucos conseguem. Esses, os clássicos, são os verdadeiros mestres da Escola do Rock. São professores como Eric Clapton, John Bonham, Joey Ramone e Stevie Nicks, que inspiram o Sr. Schneebly (Jack Black) e fazem os atores-mirins gritarem: School’s Out!

Sendo impossível falar do filme sem falar de música, não vou lutar contra o gradiente. Afinal, foi ela que incitou a idéia de uma banda de rock formada por alunos bem-comportados e um professor nem tanto. Você há de concordar que andar pelado pelo corredor e escutar “uns róque” no último volume não são coisas muito comportadas. Pois era isso que o vizinho Jack Black fazia, segundo o roteirista Mike White. Dessa visão do inferno surgiu a idéia do filme, com a qual Black logo se empolgou, sabendo que poderia tocar suas músicas preferidas na telona. Não obstante, Jack Black também tem sua banda, a Tenacious D.

Comparado às crianças do filme, o Jack Black músico é um ótimo ator. Ele mesmo (quase) diz isso. Toda a molecada que forma a banda realmente toca seus instrumentos ou canta. A maioria tem ou teve projetos musicas, como as bandas de Joey Gaydos (o guitarrista Zack Mooneyham) e Kevin Clark ( o baterista Freddy Jones). Para completar o crew do som temos o diretor musical Randall Poster, que tem uma lista enorme de trabalhos, incluindo a série Lost e o filme Kids.

Então, quando você pensa que não dá pra falar mais de música, você descobre que está certo. Não fosse o fato de a banda Mooney Suzuki participar das filmagens; à exceção de mais de mil pessoas terem pedido ao Led Zepellin para liberar o uso da canção Immigrant Song na trilha sonora; e excluindo que o ator Lucas Babin (um dos guitarristas da No Vacancy) lançou um cd (?) na sua estada no Brasil (??), quando gravou a novela América (!!!). Felizmente o assunto música para Jack Black e turma não parece estar saturado. Não é à toa que vem a continuação do filme. Que continue, também, a herança das lendas do Rock’n’Roll. Longa vida ao bom, velho ou novo, mas verdadeiro Rock! — dentro e fora do cinema.

Categorias: Bastidores
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Do cinema italiano para o mundo

23/Setembro/2008 · Deixe um comentário

Morricone ultrapassa fronteiras de tempo e espaço e se mostra um dos maiores compositores de todos os tempos

Victor Caputo

Poucos são os que se destacam e gozam de prestígio no mundo da trilha sonora. Um destes senhores é Ennio Morricone. Foi lá pelo final dos anos 50 que suas trilhas começaram a aparecer em alguns filmes italianos.

Já em 1964 Sergio Leone lança Por Um Punhado de Dólares, a trilha sonora, composta por Morricone, foi apenas a primeira entre muitas da parceria entre os dois italianos. Foram com os Spaghetti Westerns de Leone, que Morricone alcança o reconhecimento internacional.

Toda vez que vemos a típica cena de um duelo em faroeste, rua deserta, dois homens se analisando e eventualmente um pouco de feno sendo levado pelo vento, a música que aparece para acompanhar a cena é sempre a mesma, ela foi escrita por Morricone para o filme Três Homens em Conflito, um dos maiores clássicos do faroeste, também filmado pro Leone. Outros títulos são Era Uma Vez no Oeste, Por Mais Alguns Dólares e Era Uma Vez na América, sendo o último o único não-faroeste deles.

Não é só de westerns que uma carreira é feita. Outros clássicos possuem trilha sonora de Morricone, como o caso de A Missão, filme no qual DeNiro é um ex-mercador de escravos que, arrependido de sua vida, se junta á um grupo de jesuítas nas florestas brasileiras. Outra de suas maiores obras é a trilha de Os Intocáveis, o grande clássico de Brian DePalma, que conta com DeNiro fazendo papel de Al Capone. A lista de obras que contam com suas trilhas é enorme, a maioria sendo títulos italianos.

No ano de 2007, Morricone recebeu um Oscar honorário pela sua magnífica contribuição para o mundo do cinema. O discurso de agradecimento, em italiano, foi traduzido por Clint Eastwood, o protagonista de muitos dos westerns de Sergio Leone.

Categorias: Personagem
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Maestro… O filme, por favor!

22/Setembro/2008 · 2 Comentários

Felipe Marques

Quando se fala sobre David Bowie, o título de “Camaleão do Rock” é mais do que merecido (Ziggy Stardust, sua persona intergaláctica, que o diga). Mas não custa lembrar que as habilidades camaleônicas de Bowie vão muito além do reino musical. Seu Rei-Duende, vilão do cultuado filme “Labirinto”, dirigido Jim “Muppets” Henson, habita o imaginário de milhares de pessoas mundo afora. Seu Pôncio Pilatos recebeu a benção de Martin Scorcese para condenar (e quase flertar com) o Jesus Cristo vivido por Willem Dafoe em “A Última Tentação de Cristo”. Com papéis tão significativos quanto esses, David Bowie é um exemplo bem-sucedido de um fenômeno característico do show business: a transformação de cantores em atores e vice-versa.

“Quando se escuta a sua voz, só sua voz, já se pode escutar uma história; por isso, gosto dela; por isso, quis fazer um filme com ela.” Essa é a justificativa de Wong Kar-Wai para a contratação da cantora de jazz Norah Jones para o papel de protagonista em “Um Beijo Roubado”, primeiro filme em língua inglesa de um dos maiores cineastas da Hong-Kong atual. Outro exemplo de um diretor cultuado que decidiu encara o desafio de trabalhar com uma personalidade musical foi Lars Von Trier, no seu ame-ou-odeie “Dançando no Escuro”. Protagonizado pela cantora islandesa Bjork, “Dançando no Escuro” conta com uma sólida performance da atriz principal e com uma rica história de bastidores. Diferentemente de Kar-Wai e Norah Jones, o relacionamento entre Von Trier e Bjork foi, segundo as más línguas da época, marcado de desavenças. A cantora teria chegado a afirmar que depois da experiência jamais trabalharia em outro longa-metragem novamente.

Ainda que Bjork não tenha se sentido muito a vontade com o jogo de poder do mundo cinematográfico, existe uma série de estrelas da música que parecem ter um dom natural para lidar com ele. Will Smith, por exemplo, migrou de uma razoavelmente bem-sucedida carreira no hip hop para um lugar no panteão das divindades hollywoodianas. Smith também foi capaz de combinar perfeitamente as duas funções: além de atuar como o agente J em “MIB: Homens de Preto”, sua contribuição para a trilha sonora do longa, “Gettin’ Jiggy Wit It”, ocupou o primeiro lugar das paradas musicais de 1998. Smith também já foi duas vezes indicado ao Oscar de melhor ator por “Ali” e “Em Busca da Esperança”. Nada, porém, comparado a Cher e Frank Sinatra, dois egressos do meio musical que não só foram indicados como levaram a estatueta para casa. Cher ganhou o de melhor atriz por “Feitiço da Lua” e Sinatra o de melhor ator coadjuvante por “A Um Passo da Eternidade”. Recentemente, a novata Jennifer Hudson, saída do reality show musical “American Idol”, também ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em “Dreamgirls”.

Ainda que não tenham ganhado Oscar nenhum e que sua passagem pelo cinema tenha sido um tanto controversa, é inegável que Elvis Presley e Maddona deixaram suas marcas tanto na música quanto na tela grande. Presley em “Coração Selavagem” e Maddona em “Evita” são exemplos de atuações memoráveis dos dois artistas. Elvis merece menção honrosa por ter feito um total de 33 filmes, sendo que a maioria era mera tentativa de comercializar cinematograficamente o sucesso e o carisma do Rei.

Falando em Rei, é impossível não citar as três aventuras juvenis do nosso Rei, Roberto Carlos, no cinema. “Em Ritmo de Aventura”, “A 300 Quilômetros por Hora” e “O Diamante Cor-de-Rosa” têm clima de superprodução, com direito a efeitos especiais e, até mesmo, cenas gravadas na NASA. “Em Ritmo de Aventura”, o Rei até dispensou dublês nas cenas em que um carro é içado por um guindaste ou em que um helicóptero atravessa um túnel. Roberto Carlos, contudo, parece ser uma exceção no cenário nacional, em que os músicos que se aventuram no cinema desafinam feio. Alguns exemplos de doer os ouvidos (e o bom senso do espectador) são: “Acquaria”, de Sandy & Júnior; “Vamos Dançar Disco Baby” e “Aluga-se(sic) Moças”, da cantora brega Gretchen e “Uma Escola Atrapalhada”, que conta com Polegar, Angélica e Supla.

Voltando para águas internacionais, outros exemplos de cantores/atores e vice e versa são: Jack Black, protagonista do genial “Por favor, Rebobine” (em cartaz), com sua banda Tenacious D (sobre a qual já fez até um “documentário”); a estrela latina Jennifer Lopez; a bela Scarlett Johanson, estrela de filmes como “A Ilha” e “Match Point”, que recentemente lançou um CD em que canta Tom Waits (músico também com carreira no cinema); Jared Leto, de “Réquiem Para um Sonho”, vocalista da banda emo “30 Seconds To Mars” e boa parte do elenco do sucesso musical da Disney “High School Musical”, que, apesar da qualidade questionável, lançou cantores teens campeões de venda. Ao que parece, a tendência de migração música-cinema, cinema-música tem mantido forte até os dias de hoje, sem dar sinal de esgotamento. Talvez, lugar de músico não seja exatamente no palco

Categorias: Especial
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Educação angustiante

21/Setembro/2008 · 1 Comentário

Bruna Buzzo

Violência Gratuita (Funny Games U.S.) é um título bem escolhido. O filme que estreou nos cinemas esta semana é uma refilmagem norte-americana de um longa de 1998, do mesmo diretor e com o mesmo título, só que falado em alemão, francês e italiano. Os diálogos do roteiro são os mesmos, os elementos cenográficos são os mesmos e a sensação que o(s) filme(s) passa(m) é desnecessária.

Na história, dois jovens perturbados, Paul e Peter (respectivamente, Michael Pitt e Brady Corbet), invadem casas de campo de famílias ricas e promovem cenas brutais apenas por mera diversão. A junção do título original com a versão brasileira traduz bem o que é este filme: jogos divertidos para os protagonistas agressores que resultam em uma violência gratuita (tanto para o público quanto para as vítimas). E o espectador pode preferir evitar ou dispensar estas sensações no meio da sessão.

As vítimas centrais do filme são a família formada por George (Tim Roth), Ann (Naomi Watts) e Georgie (Devon Gearhart), que serve de exemplo para o problema que os dois jovens conseguem provocar partindo de um simples pedido de empréstimo de ovos. Desde o começo, o espectador percebe que há algo errado com a situação e com a roupa branca dos dois rapazes.

As cores usadas pela direção de arte neste filme fazem diversas referências ao clássico de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, e sua trilha sonora contribui para dar o tom de desespero da família. A angústia com que este filme o fará sair da sala de cinema, no entanto, não chega nem aos pés das reflexões que Alex nos trás no filme de Kubrick e não há nada que se compare à Singing in the Rain na voz de Malcolm McDowell. As agressões aqui são desnecessárias e o final previsível (ou a boa educação dos vilões) não é algo que nos faz sorrir.

Categorias: Lançamentos
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Aurora de um novo dia

19/Setembro/2008 · 1 Comentário

Bruna Buzzo

Missão Babilônia (Babylon A. D.), novo filme estrelado por Vin Diesel, mostra nossa sociedade em um futuro próximo, devastada por guerras nucleares, epidemias virais, armas químicas e biológicas. O enredo é simples e você já viu essa história em vários outros filmes: Toorop, um valente mercenário, é contratado para levar um pacote do leste europeu à Nova York, sobrevivendo ao caos do mundo e defendendo os interesses de sua missão. Talvez não fosse uma idéia (tão) repetida se o tal pacote não fosse, na realidade, uma bela garota que esconde certo mistério e, descobriremos depois, um segredo.

A princípio, o espectador que for conferir Missão Babilônia pode achar que se trata de uma refilmagem mal feita de Filhos da Esperança (drama de ficção dirigido por Alfonso Cuarón, com Clive Owen). Se tiver visto o longa de Cuarón e o nome original de Missão, é provável que o espectador pense se tratar de um trocadilho mal feito, desse que Hollywood cria como ninguém (hipótese que não deixa de ser verdade até certo ponto). O nome escolhido em português pode intrigá-lo mesmo depois que você sair da sessão, mas isso será o de menos! Talvez você prefira esquecer que a tal missão não teve seu nome mencionado exceto pelo título do filme.

Apesar das semelhanças com outros filmes, Missão Babilônia se revela diferente nos pontos principais de seu enredo e trás algumas surpresas ao público, quebrando alguns (poucos) clichês que poderíamos esperar de um filme como este. Missão busca alguma reflexão sobre o estado de coisas do planeta em seu panorama sócio-ambiental e também no religioso, ainda que de forma sutil e disfarçada. Talvez não seja uma reflexão estimulada, o filme não parece se propor a isso, mas a reflexão existe e você pode senti-la, se preferir certa filosofia à ação de ficção científica.

Um dos grandes destaques do filme, no entanto, é a moça que representa o centro das disputas sobre as quais esta montada a trama. Aurora (Melanie Thierry) cresceu isolada do mundo em um convento na Mongólia, nunca teve contato com nenhuma sensação ou sentimento do mundo externo. Seus pensamentos e reflexões são puros e a jovem trás consigo grande quantidade das reflexões que faltam à esta sociedade retratada no filme (não muito diferente da nossa atual). Em uma das melhores cenas do filme, a moça lembra Toorop de que “não há lugar com o nosso lar”, Mágico de Oz, 1939, como diz Aurora. A pureza de sentimentos da moça irá quebrar a frieza do personagem principal e incentivá-lo a lutar por um ideal de vida melhor.

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Anjos sem asas

18/Setembro/2008 · 1 Comentário

 Bruna Buzzo

Ao término da sessão de Nem por cima do meu cadáver (Over her dead body), comédia romântica estrelada por Eva Longoria Parker (Desperate Housewifes), Paul Rudd (Ligeiramente Grávidos), Lake Bell (Jogo de Amor em Las Vegas) e Jason Biggs (American Pie), perguntei a um amigo se havia gostado do filme. Sua única resposta: “Se Ghost fosse uma comédia, seria assim.”

Com todos os clichês que as comédias românticas costumam ter, este filme conta a história da obcecada e possessiva Kate (Eva Longoria Parker), uma noiva que é impedida de se casar por um anjo de gelo (sem asas) que cai sobre ela pouco antes de seu casamento com Henri (Paul Rudd). Um ano depois, o moço ainda sofre a perda da noiva e sua irmã tentará ajudá-lo a superar a tristeza e solidão contratando Ahsley (Lake Bell), uma médium e chefe de cozinha, para lhe dizer que conversou com Kate e ela deseja vê-lo feliz novamente com outra mulher.

O conflito e algumas das cenas mais engraçadas começam quando a jovem médium começa a se envolver emocionalmente com Henri e a farsa de “conversar com a noiva falecida” se torna realidade. Kate aparece para Ahsley e passa a atormentar sua vida e sua relação com Henri. Ajudada pelo amigo gay, Ashley tentará se livrar da influência da ex de seu amado e seguir adiante com sua vida.

Nem por cima do meu cadáver não é um filme de grandes atuações, seu forte fica mesmo com as boas risadas que o roteiro proporciona. Apesar dos muitos lugares comuns, o filme tem momentos que podem ajudá-lo a relaxar e se divertir com um pouco das não-realidades que nos levam para longe de nosso tumultuado dia-a-dia.

 

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