Entradas do Agosto 2008
O CineJ traz o melhor do cinema para a Universidade!
Confira a pré-estréia de
Orquestra dos Meninos, um filme de Paulo Thiago com Murilo Rosa, Priscila Fantin e Othon Bastos – baseado em fatos reais.
Data: 02 de setembro
Horário: 19:00
Local: Auditório Paulo Emílio no 2° andar do Prédio Central da ECA/USP
Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária
São Paulo – SP
Após a exibição do filme, haverá um debate com Paulo Thiago, diretor do filme.
Garanta seu lugar para ver o filme mandando um e-mail para: cinefilos2008@gmail.com
Ou retire senha com uma hora de antecedência!
Maiores informações: entre em contato conosco atráves do e-mail cinefilos2008@gmail.com
Leia mais sobre o filme: Novelão, por Victor Caputo
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Etiquetado: cinej, eventos, filmes, pré-estréia
Ricky Hiraoka
Nos últimos anos, poucos filmes de terror se mostraram tão eficazes quanto O Nevoeiro (The Mist). Baseado numa obra de Stephen King, o filme, em nenhum momento apela para o ridículo ou para o trash. Ele dá ótimos sustos, sem fazer qualquer concessão a efeitos de mal gosto,
e também consegue ser um terror psicológico.
Após uma violenta tempestade, David (Thomas Jane) vai com seu filho ao supermercado para comprar mantimentos. Quando estão saindo do supermercado, David e outros clientes são surpreendidos por uma estranha névoa que cobre toda a cidade. Junto com outros clientes, David fica preso no estabelecimento. Aparentemente, essa névoa é apenas um efeito da tempestade da noite anterior. Entretanto, um dos moradores da cidade, que se refugia no supermercado, afirma que ela esconde algo sobrenatural que mata quem ousa enfrentá-la. Os gritos ouvidos do lado de fora comprovam essa teoria. Logo, o desespero se instala e todos tentam, da melhor maneira, enfrentar o problema.
À medida que o tempo passa, a situação fica cada vez mais tensa. Se antes o terror era representado pela criatura desconhecida que está encoberta pelo nevoeiro, aos poucos, ele
vai tomando se concentrando em uma fanática religiosa (a impecável Márcia Gay Harden) que atormenta a todos, chegando a propor a morte de uma criança para acalmar a criatura do nevoeiro.
O que se vê em O Nevoeiro são os diversos setores da sociedade americana que se confrontam diante de um problema criado por eles mesmos. Questões que seriam facilmente contornadas, pelo bom senso ou pela hipocrisia, em uma situação normal se tornam insuportáveis em uma situação-limite. A intolerância passa a dominar e perde-se a capacidade de conciliar pensamentos e atitudes. O filme é uma fábula sobre a ambição e a inconseqüência humana. Em O Nevoeiro, nenhum inimigo é tão perigoso para a humanidade como o próprio homem.
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Bruna Buzzo
Um menino, desfocado ao fundo, observa os relógios em primeiro plano na feira urbana. Não pode comprá-los. A feira não negocia produtos da própria comunidade, tudo que ali se vende veio de fora. Não há economia. Não há dinheiro. Apenas pobreza, seca e subsistência. Esta é a realidade que Rodolfo Nanni nos mostra em O Retorno, documentário sobre o Nordeste brasileiro.
Em 1958, Nanni realizou juntamente com Josué de Castro o documentário O Drama das Secas, que seria parte integrante de um grande filme sobre a miséria em diferentes aspectos e partes do mundo. O grande filme, no entanto, não aconteceu. Cinqüenta anos depois, o cineasta resolveu retornar ao nordeste para repensar o trabalho realizado e retornar aos laços que criou com a situação do nordeste.
O filme inicial era um retrato de massas: naquele ano, uma grande seca devastara a região do semi-árido brasileiro e a população estava toda nas ruas. Havia muitos retirantes pelas estradas e não foi preciso procurar por personagens, eles estavam todos ali, lutando pela sobrevivência e indo em direção ao litoral, uma pequena esperança de melhoria nas precárias condições de vida da população.
Já em O Retorno, o que vemos é um filme sobre indivíduos: diferentes habitantes contam suas histórias e as de suas famílias. Nanni procurou retratar a vida dos pequenos agricultores que lutam pela sobrevivência de suas famílias: seus dramas (e a solução para eles) estão retratados no filme, nas palavras simples e sábias do sertanejo nordestino que dá a receita para que o governo irrigue as terras do sertão. As imagens do filme antigo reforçam a idéia de que pouco foi feito nestes anos, reforçam o abandono deste povo à sua própria miséria.
Os pontos altos deste filme, além de algumas falas brilhantes dos entrevistados, são a trilha sonora, assinada por Anna Maria Kieffer, e a fotografia, com os excelentes enquadramentos de Roberto Santos Filho. As canções mostram a riqueza cultural do Nordeste, em oposição à miséria física retratada na tela. A rabeca, instrumento que costura o filme inteiro, é típica da região e é usada pelos contadores (e cantadores) de histórias, juntamente com as violas, em suas narrativas. Com a presença destes instrumentos, o filme assume o caráter de uma história que se esta contando.
Os problemas com os quais o diretor teve contato cinqüenta anos atrás ainda são os mesmos e o abandono que ele encontrou ao retornar ainda é o mesmo. Em 1958, a estrada ferroviária levava os habitantes só até Serra Talhada, e não interessa saber onde fica este município. A miséria é a mesma em todo o semi-árido nordestino. E, assim como na pequena cidade, muitas outras tiveram suas ferrovias abandonadas; em um lugar que parece esquecido pela roda da história.
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Por Seus Olhos é competente ao analisar relacionamentos familiares
Victor Caputo
Por Seus Olhos (Te Doy Mis Ojos) começa de forma interessante, sem uma daquelas introduções óbvias para que sejamos situados na história do filme. Simplesmente vemos uma mulher pegando suas malas, trocando a roupa de seu filho e indo embora de casa, sem que qualquer explicação seja nos dada.
Pilar (Laia Marull), foge para a casa de sua irmã para passar um tempo longe de seu marido. No decorrer do filme passamos a entender melhor o mundo daquela família e os motivos que Pilar teve para fugir de seu marido, violento e repressor, Antonio (Luis Tosar). O relacionamento do casal passa a ser baseado em promessas de mudança e uma tentativa de se reaproximar da esposa e do filho, por parte de Antonio.
Não é apenas a vida do casal protagonista que vai sendo explorada durante o filme. A relação das irmãs também é abordada. Apesar da ajuda, ainda há ressentimentos entre Pilar e sua irmã por acontecimentos em tempos passados. Pilar critica também o relacionamento que a mãe tinha com o pai, uma vez que apesar de reprimida a mãe continuava com o pai e aceitava toda a situação imposta pelo marido.
A emoção do filme fica por conta do casal protagonista, Luis Tosar e Laia Marull, que está com ótimas atuações, que foram premiados com Goyas, que além dos prêmios de melhor atuação ainda ganhou melhor filme e melhor direção entre outros.
Por Seus Olhos, é um bom filme, analisando bem as estruturas e relacionamentos familiares, além da abordagem em um assunto importante, que pode conscientizar as duas parte do relacionamento.
O filme, que é de 2003, entrará em cartaz apenas no Cinesesc de São Paulo, na rua Augusta.
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Felipe Maia
A música está para o esporte assim como Cheech está para Chong; assim como Bony está para Clyde; assim como Thelma está para Louise; ou melhor, assim como Michael Phelps está para medalha de ouro. E o orelhudo mais rápido das piscinas não deixa mentir sobre a sincronia que há na combinação esporte e música — duvido que o fato de ele chegar às competições ao som do seu iPod não tem a ver com seus quilates recém-adquiridos. E, tomando como inegável a influência da música sobre o comportamento e desempenho humano, o cinema faz sua parte quando quer mexer com as emoções do espectador unindo num só momento seqüências e canções dignas do primeiro lugar no pódio.
Para chegar ao topo é preciso ralar muito. Nem que seja batendo em carne num frigorífico, carregando pedras num terreno baldio ou correndo num frio danado só de moletom. Esse cenário, que bem podia ser de um despatrocinado atleta brasileiro, é na verdade de Rocky Balboa, o boxeador interpretado por Silvester Stallone na franquia Rocky. Além do famoso tema executado por uma orquestra, Eye of the Tiger é outra canção que embala o lutador nos ringues. Tocada pela banda Survivor, a vinheta do boxe na Globo logrou boas posições na Billboard, rendeu participação da banda em outro filme da série e era o que faltava para Rocky detonar com um gancho de direita qualquer adversário.
Ainda na busca do lugar mais alto, Eye of the Tiger só perde para Get on Top, do Red Hot Chili Peppers. Dessa vez o topo é a crista da onda, e os surfistas são os descolados pingüins de Surf’s Up, O clima de adrenalina e competição entre tubos e dropadas ganha força com o wah-wah da guitarra e os ataques do baixista Flea — uma composição que deixaria até Dick Dale empolgado. Em matéria de animação, aliás, os Looney Toons são os campeões disparados — mesmo com a chatice do Patolino. Junte a eles Michael Jordan, basquete e um genuníno hip-hop anos 90 que essa animação se multiplica exponencialmente e literalmente no filme Space Jam. A bola da vez na playlist é o Quad City Dj’s e sua música-título: um sample clássico, alguns gritos de guerra e roupas e danças espalhafatosas. Nada melhor para acompanhar o maior jogo de basquete do século — se não isso, pelo menos o mais sem noção.
Outro muito bem acompanhado musicalmente é Lords of Dogtown. Meio ficção, meio documentário, o longa conta a história das origens do skate. O cenário é a Califórnia dos anos 60, com suas piscinas vazias, asfaltos escaldantes e moleques de cabelo grande com um carrinho sob os pés. Para impulsionar ollies e flips só mesmo boas canções como Fire do dispensa-comentários Jimi Hendrix, Death or Glory, originalmente do The Clash, mas levado pelo Social Distortion, e Iron Man do Black Sabbath. A última, cantada por Ozzy Ousborne, também deu as caras recentemente no filme do super-herói Homem de Ferro. Figurinha carimbada mesmo nos filmes (e, principalmente nos de esporte) é o Queen. Todo técnico deveria colocar We are the Champions nas suas preleções. É mais ou menos o que o treinador de hockey Gordon Bombay (Emilio Estevez) faz com o time dos Super Patos em Mighty Ducks. E se o negócio for levantar a moral do pessoal, nada melhor do que a contagiante We Will Rock You. Se já era assim nos duelos de cavaleiros da Idade Média, como se vê em Coração de Cavaleiro, deve funcionar hoje em dia. O que não dá pra dizer é que o Phelps roubou só porque ouviu uma musiquinha — escolhas não faltam!
Categorias: Trilha Sonora
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Felipe Marques
Ah, Jamaica… Sol, praia, reggae, verão que dura o ano inteiro. Nada como ser feliz na beira do mar da terra de Bob Marley. Mas o que acontece quando um grupo de atletas frustrados resolve fundar a “Equipe jamaicana de TRENÓ” e competir nas Olimpíadas de INVERNO no Canadá?O resultado só pode ser um: “Jamaica Abaixo de Zero”, o CineTRASH “olímpico” desse mês.
Por mais incrível que possa parecer, “Jamaica Abaixo de Zero” é um filme baseado numa história real. Para aqueles que já se esqueceram, ou que nunca viram esse clássico do cinema esportivo, o filme conta como o treinador americano Irwin Flitzer transformou quatro jamaicanos, que sequer haviam visto um floco de neve, na primeira equipe de bobsled do país. Desgraçado após trapacear numa corrida de trenós, Flitzer vê no desejo dos jovens em representar a Jamaica na busca por medalhas, uma chance de retornar ao mundo frio das competições na neve. A partir daí, o que se desenvolve é um conto de humor e superação no melhor estilo Disney, com direito à clássica moral “o-que-importa-é-acreditar-em-si-mesmo”, marca registrada dos filmes da casa do Mickey.
Dirigido por Jon Turteltaub (da série “A Lenda do Tesouro Perdido”), “Jamaica Abaixo de Zero” é medalha de ouro como filme obrigatório da “Sessão da Tarde”. É impossível não se contagiar com o espírito olímpico dos Jamaicanos, nem deixar de se divertir nas cenas “peixinho fora d’água” protagonizadas pela equipe no Canadá. Em época de Olimpíada, esse é o longa-metragem ideal para se assistir entre uma competição e outra.
Categorias: Cine Trash
Etiquetado: Cine Trash, esporte, jamaica, olimpíadas
Bruna Buzzo
Um Crime Americano começa com Sylvia (Ellen Page) nos falando de suas maiores alegrias, das coisas de que mais gosta em sua vida. Conforme os minutos vão passando, o longa nos mostra as alegrias da menina se desmoronarem em um mundo de agonias e desespero. Catherine Keener interpreta Gertrude Baniszewski, uma mulher perturbada e que perturba. Sua personagem causa um profundo sentimento de angústia no espectador e é, em grande parte, o que faz com que possamos classificar este filme como um drama psicológico.
Do começo ao fim, é a agonia das incertezas o que nos faz esperar pelos minutos e torcer pelo sucesso de Sylvia e de sua irmã, Jennie, deixadas pelos pais aos cuidados de alguém que nem sequer conheciam. As meninas são filhas de um casal que monta barracas de comida em um parque de diversões itinerante: eles viajam o tempo todo e, nesta profissão, as filhas são um problema e se tornaram motivo de brigas entre o casal.
Ao conhecer uma senhora que tem sete filhos, o pai das meninas se deixa convencer de que deixá-las aos cuidados de Gertrude é uma boa solução para que o casal continue seus negócios e as filhas possam se estabelecer em uma cidade e fazer amigos.
O abandono se torna o grande tema do filme: abandono das meninas pelos pais, abandono de Gertrude e de seus filhos, abandono social. Pobre e mãe solteira, Gertrude teve seis filhos com o primeiro marido e mais um com seu namorado jovem, que além de não assumir o filho ainda pede o pouco dinheiro que a senhora tem emprestado. Por suas relações familiares e amorosas, Gertrude não é muito bem vista na comunidade em que mora. Seus filhos também são vitimas desta segregação e alguns deles acabaram seguindo o mesmo caminho da mãe: miséria, relações amorosas instáveis e desequilíbrio.
O filme é contado em dois tempos: mescla cenas do julgamento de Gerthude com outras que contam o desenrolar dos fatos que levaram ao crime cometido contra Sylvia, que conta sua historia desde o momento em que vive feliz em um carrossel com os pais até as cenas finais que mostram o destino de cada um dos envolvidos na série de atrocidades que a menina aguentará calada e forte, pelo bem da irmã mais nova.
Neste filme repleto por irresponsáveis e desequilibrados, Ellen Page é quem dá luz à única personagem ajuizada do longe, como diriam os contemporâneos da menina. Sylvia é injustiçada e se cala frente às agressões que sofre, busca proteger a todo custo a irmã mais nova e sofre sozinha pela ausência dos pais e pelo erro em que ela mesma ajudou a se meter.
As diferentes tonalidades das cenas mesclam o colorido do circo e da alegria dos primeiros dias com a escuridão em que se transformará a vida da garota. Um erro, vários culpados. Muitos serão punidos e a pequena Sylvia nos conta, sem ressentimentos, como cada coisa dentro de sua historia faz sentido e se encaixa. Ela nos mostra que cada gesto tem enormes conseqüências e que muitas vezes nem Deus pode nos ajudar.
Categorias: Lançamentos
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Mesmo sendo apenas uma ficção, Rocky é um dos maiores campeões de todos os tempos
Victor Caputo
Após tomar seus cinco ovos crus de café da manhã, ele sai e corre vários quilômetros usando um all-star preto de cano alto. Ele treina boxe dentro de um frigorífico socando pedaços de carnes pendurados. Além de tudo isso tem seis filmes com seu nome. Rocky Balboa “nasceu” em 1976, criado por Sylvester Stallone. Logo no primerio filme, Rocky, o boxeador fez sucesso e conquistou 3 Oscars, incluindo a tão comentada estatueta de melhor filme. Diria que um bom começo.
Depois do primeiro veio uma série de outros, até parar no quinto filme, lançado em 1990. Após uma pausa de dez anos Stallone voltou com um sexto filme, intitulado Rocky Balboa, nele já vemos o famoso esportista velho, assim como seu criador.
Um lutador que ganha pouco dinheiro e para sobreviver precisa trabalhar como cobrador para um agiota. Esse é Rocky, que vê a chance de sua vida em uma luta contra o campeão Apollo Creed. A história que basicamente se repete no segundo filme, de 1979, não desanimou o público que novamente acompanhou e torceu por ele.
Em 1985, durante a Guerra Fria, Rocky luta contra um soviético em Rocky IV, uma clara alusão aos conflitos entre as duas super potências da época. A morte de Apollo Creed durante uma luta contra o capitão Ivan Drago, faz com que Rocky vá vingar a morte do amigo. As diferenças entre os treinamentos dos dois são memoráveis, enquanto o soviético treina em um laboratório de alta tecnologia, Rocky treina de modo simples, correndo na neve ou socando qualquer coisa. Mesmo assim o soviético não foi páreo para Rocky.
No último filme Rocky sai da aposentadoria para uma última luta, o que gera discussões com seu filho, que após cinco filmes já é um adulto. No total seis filmes e 30 anos formam o legado de Rocky Balboa. Após tanto tempo subindo a famosa escadaria após sua corrida, Rocky ganhou uma homenagem no Museu de Arte da Filadélfia. A estátua de bronze usada nas filmagens de Rocky III foi colocada definitivamente no topo da escadaria como homenagem ao lutador mais famoso do cinema.
Imagino que poucos são exceções e não tiram uma foto fazendo pose ao lado do lutador mais famoso de todos os tempos, que mesmo sendo apenas uma ficção é um dos maiores ícones do boxe.
Categorias: Personagem
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Bruno Benevides
Pois é, Star Wars está de volta. A saga mais amada e odiada do cinema chega mais uma vez as telas. Mas calma, não se trata de um filme live action ou o início de mais uma trilogia. A animação The Clone Wars é uma história paralela para explicar melhor uma parte da história. Vamos esclarecer.
Depois de filmar O ataque dos clones (episódio 2), George Lucas resolveu buscar novos universos (sem trocadilho) para a saga. Daí nasceu a micro-série animada Guerras Clônicas (Clone Wars em inglês), com episódios de até cinco minutos que foram exibidos, entre 2003 e 2005, pelo Cartoon Network. Ela trouxe um pouco do que ocorre nas guerras clônicas que se iniciam no final do episódio 2 e se estendem até A vingança dos Sith (episódio 3). Lucas gostou do resultado e após finalizar a trilogia autorizou a criação de uma série animada longa, com episódios de meia hora, que focaria ainda mais nas tais guerras. Assim a série ganhou o nome de The Clone Wars (em inglês mesmo) e o filme que estréia agora marca o início desta.
Feita as devidas apresentações, vamos ao principal. O filme gira em torno do seqüestro do filho de Jabba, the Hutt. Obi-wan Kenobe, Anakin Skywalker e sua aprendiz, Ahsoka Tano, precisam resgatar a criança para conseguir a ajuda de Jabba na guerra. Exceção feita a Ahsoka, todo o resto já são velhos conhecidos. A direção ficou a cargo do desconhecido Dave Filoni, que vinha de passagens por Nickelodeon e Disney.
O filme é exatamente o que poderia se esperar, um desenho de televisão muito longo, esticado em uma tela muito grande para ele. O deleite visual e a narrativa clássica que marcaram Star Wars vão embora aqui. A animação é apenas correta, sem nenhuma criatividade. A história é fraca muito corrida para um filme. Em uma série de televisão, dividida em episódios, ela poderia extrair alguma tensão e assim funcionar, mas no cinema o resultado fica sem graça.
Ao sair do filme a sensação que fica é que ele era completamente descartável, poderia ter sido feito para a televisão. A escolha por lançar no cinema parece ter muito mais a ver com uma estratégia de marketing para divulgar a nova série e chamar a atenção para os bonecos e outros produtos que virão em seu rastro. Sinceramente prefiro esperar pela série na telinha.
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Túlio Bucchioni
Nossa Vida Não Cabe Num Opala é, antes de tudo, um filme ousado. Baseado na peça teatral de Mário Bortolotto, a versão cinematográfica é dirigida por Reinaldo Pinheiro, que consegue captar com competência a essência e as características das personagens tipicamente paulistanas retratadas no filme. A câmera persegue as personagens em seus conflitos, de maneira que em muitas cenas é possível perceber que o movimento de Pinheiro parece refletir realmente o que as personagens vêem ou sentem.
As cores pastéis e os ambientes desorganizados traduzem com presteza o tédio e a vida sem perspectivas e sem afeto das personagens principais. O choque de uma realidade tão triste e tão degradante, que revela o pior da condição humana, o lado mais obscuro e desesperador de uma vida de roubos, marginalidade, ignorância e subserviência ao crime e à falta de escrúpulos, leva o espectador a fazer uma pergunta simples: por que essas pessoas não tentam mudar de vida? A resposta aparece absolutamente nítida ao longo do filme.
Como se safar de uma condição onde a esperança não existe mais, ou sequer existiu algum dia? As personagens do longa estão enterradas nas profundezas de suas próprias vidas amargas, como se tivessem sido tragadas por seus próprios medos e pela indignidade do meio em que vivem. Viver de roubos e cair na mediocridade parece ser a única saída possível para os elementos dessa família.
Merecem destaque também o figurino muito bem trabalhado e a trilha sonora, presente em todos os momentos cruciais do filme, com uma carga dramática que se torna imprescindível para a compreensão da proposta do longa. Com um final impressionantemente chocante e deprimente, o longa de Pinheiro consegue retratar com fidelidade uma existência caótica, desprovida de qualquer possibilidade de sonho. Para essa realidade não há trégua.
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