Entradas do Junho 2008
As trilhas sonoras e os filmes que falam por si só quando o assunto é criar um clima
Felipe Maia
O amor sempre inspirou a arte. Em todos os tipos de arte é o amor que dá o tom. No cinema, contudo, há uma grande diferença. Quem dá o tom ao amor na telona é a música. O que seria de Jack e Rose sem Celine Dion para acompanha-los em Titanic? O exemplo pode até ser cafona, mas, em se tratando de amor, o cafona é romântico.
E muito do que é romântico é clássico. Não só clássico na acepção acadêmica e pomposa. Clássico de “Sessão da Tarde” mesmo. Ao menos um crepúsculo semanal tinha de vir acompanhado de alguma música comovente, cheia de levadas suaves que culminavam naquele beijo. Em Top Gun – Ases Indomáveis, Take My Breath Away embalou Charlotte (Kelly McGillis) e Maverick (Tom Cruise).
Quase uma década depois, a sintonia do casal Demi Moore e Patrick Swayze de Ghost – Do Outro Lado da Vida só estava completa quando tocava Unchained Melody, com os vocais chorados e o piano quase valsa dos Righteous Brothers — que, como a banda Berlin, de Top Gun, não tiveram outros hits. Mais um casal beleza que completa esse quadro são a prostituta Vivian (Julia Roberts) e o executivo Edward (Richard Gere) em Uma Linda Mulher. Quanto à música, o ronronante Roy Orbison em Pretty Woman não é o único que vale ser lembrado: a trilha sonora do filme ainda conta com Roxette e Red Hot Chilli Peppers (!).
Em matéria de prostituta, porém, eu prefiro a Bonequinha de Luxo de Audrey Hepburn. Até porque, além de bela e primorosa em cada trejeito ora bonequinha, ora luxo, ela canta muito bem. Ao maior estilo folk, com um violão e arrastando as dedilhadas, Holly embala a deliciosa Moon River em sua janela.Também vale muito a pena assistir a outras obras-primas, como Casablanca. Mais do que ver, deve se ouvir. É o caso da música tema de Ilsa e Rick. Cantada pela sublime voz de Frank Sinatra, As Time Goes By realça cada detalhe dos planos que contêm o casal e dá o ar saudoso da trama.
A animação Shrek mostra que amar é algo que vai além do humano — e alcança até os corações mais ogros. No segundo filme da seqüência, Peter Yorn dá uma nova roupagem ao punk esganiçado e de acordes agudos do Buzzcocks. Em tom mais power-pop, Ever Fallen In Love foi uma escolha muito feliz para o romance nada comum de Shrek e Fiona.

O que falar então das crianças, que já causam suspiros pelo menor dos namoricos em filmes. Atire o primeiro lenço de papel quem não se lembra de My Girl, levada no maior estilo bailinho pelos Temptations. A canção dá nome ao filme que conta com brilhante atuação da dupla Thomas (Macaulay Caulkin) e Vada (Anna Chlumsky. Tão doce quanto essa trama é o trecho de Os Batutinhas em que Alfalfa (Bug Hall) declara à Darla (Britanny Ashton) todo o seu amor em You Are So Beatiful. Apesar da voz do pequeno (ou justamente por ela), a música vem como uma sinceridade como não se vê em tempos de créu.
Horas e horas seriam necessárias para ouvir tudo de romântico e amável que a música produziu para a sétima arte. Essa é uma ótima desculpa para ficar junto de seu par, seja assistindo aos filmes da lista ou escutando as canções.
Categorias: Trilha Sonora
Etiquetado: amor, cinema, filmes, músicas, Trilha Sonora
Hugo Nogueira
Laura (Celia Johnson), uma convencional dona de casa de classe média, casada com Fred (Cyril Raymond), um marido igualmente convencional e pouco afetuoso, conhece, casualmente, numa estação de trem, o médico Alec (Trevor Howard), também casado. Deste primeiro encontro fortuito entre duas pessoas comuns, advêm vários outros na mesma estação. Paulatinamente, ambos se apaixonam, embora sejam incapazes de consumar livremente o adultério. Atormentados, de um lado, pelo amor cada vez mais intenso e, de outro, pelo profundo sentimento de culpa oriundo da rede de mentiras que são obrigados a tecer, Laura e Alec vêem a oportunidade do amor escorrer pelas suas mãos até a decisão final num derradeiro encontro na mesma estação de trem onde o acaso os reuniu.
Embora a atmosfera épica das produções cinematográficas posteriores de David Lean, tais quais A Ponte do Rio Kwai (1957), Lawrence da Arábia (1962) e Doutor Jivago (1965) estejam ausentes nesta obra, Desencanto reúne alguns elementos típicos da carpintaria cinematográfica do diretor. Ali estão a narração firmemente articulada em flashbacks e reforçada pela voz em off da protagonista, a antecipação simbólica do final do filme já nos créditos iniciais – mediante a paradigmática cena em que dois trens se cruzam, seguindo direções opostas, numa intensa metáfora visual do romance de Laura e Alec – e a própria simbologia dos trens, a qual permeia quase toda obra de Lean.
Desencanto desafiou uma série de convenções cinematográficas: não astros no elenco, não são providenciadas soluções artificiais para a história do amor adúltero, não há nenhuma opulência nos cenários e nos figurinos – a vitalidade do filme deriva da sólida abordagem de uma história de amor e renúncia entre duas pessoas maduras numa concepção definitiva do intimismo no cinema. Além da trama perfeitamente articulada, o filme é marcado por uma unidade conceitual exemplar. A áspera crítica à moral do establishment contida no argumento original de Noël Coward coaduna-se perfeitamente com a bela fotografia de foco profundo concebida por Robert Krasker, a qual, com planos longos e penetrantes panorâmicas em locações inóspitas, acentua dolorosamente a fragilidade dos protagonistas sob a pressão das convenções sociais. O Concerto Número 2 para Piano de Rachmaninoff, tema musical do filme, por sua vez, traduz todos os matizes da pungente ambivalência emocional que arrebatou vertiginosamente os dois amantes magistralmente interpretados por Celia Johnson e Trevor Howard.
Na medida em que todo o filme é construído sob a perspectiva subjetiva de Laura, a comovente interpretação de Celia Johnson consiste num dos maiores trunfos da produção. Compondo sua personagem com um sutil comedimento, Johnson converte-a numa mulher madura, solitária, incrivelmente terna e suave, uma criatura humana absolutamente perplexa diante do arrebatamento da paixão, oscilando vertiginosamente entre as sensações do afeto e uma culpa irremissível e sempre tragicamente incapaz de romper com as amarras do seu trivial destino social. Os gestos delicados e os olhares impregnados de uma transcendente tristeza de Celia Johnson, a interpretação igualmente vigorosa de Trevor Howard e a direção de David Lean tornam completamente inevitável o pleno envolvimento do espectador com a obra, uma das mais belas e singelas historias de amor impossível já celebradas nas telas de cinema.
Categorias: Túnel do Tempo
Etiquetado: cinema, Fazendo história, filmes
Cris Sinatura
Pense em Meg Ryan. Qual o primeiro filme que lhe vem à cabeça? Provavelmente alguma das várias comédias românticas que ela já protagonizou. Mas, por trás de papéis quase sempre água-com-açúcar e da combinação cabelos-loiros-e-olhos-verdes, há uma atriz tão versátil quando flexível.
Ela já se apaixonou por um anjo em uma sugestiva Los Angeles; já viveu o drama de uma mulher que luta contra o alcoolismo por amor ao marido e às filhas; já descobriu que sua paixão virtual era, na verdade, seu maior inimigo nos negócios; já esteve na pele de uma moderna e bem sucedida executiva que reencontra o amor em um duque do século 19.

Sua estréia no cinema foi em 1981, no filme “Ricas e Famosas”. Mas foi ao lado de Billy Crystal, com “Harry e Sally – Feitos um para o outro”, oito anos depois, que Meg Ryan conheceu o status mais elevado de Hollywood. Com uma história (batida) de um casal que primeiro se odeia para depois cair de amores, a atriz passou a ser figurinha concorrida para as comédias românticas. No tempo entre sua estréia no cinema e seu boom hollywoodiano, Meg Ryan estrelou ao lado de Tom Cruise um clássico dos anos 80, “Top Gun – Ases Indomáveis”. No criativo “Viagem Insólita”, da mesma década, Ryan conheceu o ator Dennis Quaid, com quem teve um casamento de dez anos e tem um filho de treze.
Com Tom Hanks, Meg Ryan encontrou a melhor química em cena. Juntos, eles estrelaram “Joe Contra o Vulcão”, em 1991, “Sintonia do Amor” (95) e o clássico das comédias água com açúcar “Mensagem pra você” (98). Em “Cidade dos Anjos”, Meg Ryan emocionou multidões ao dar vida, ao lado de Nicolas Cage, ao romance entre uma médica mortal e um anjo errante. Iris, a doída canção da banda Goo Goo Dools que embala o drama, virou trilha sonora para milhões de casais apaixonados mundo afora.
É fato que ator nenhum gosta de ver sua carreira estigmatizada por um único papel ou um tipo restrito de atuação. Mas às vezes é inevitável. Talvez não tanto quanto esteja o personagem Neo para o lacônico Keanu Reeves ou as comédias-de-doer-a-barriga para o incomparável Jim Carrey, os romances são o rótulo da carreira de Meg Ryan. Mas que se afaste a negatividade desta crítica. Meg é boa no que faz e serve de mestre para as mais jovens das queridinhas hollywoodianas, como Reese Whiterspoon e Drew Barrymore. Prova disso é que ela não se acomoda e – mais importante – suas empreitadas por gêneros que não a comédia romântica são bem aventuradas. Veja-se “Em Carne Viva”, longa de 2003 em que há, sim, um romance (com o detetive de Mark Rufallo), mas que foca muita mais na obscuridade que a investigação de um assassinato confere a esse envolvimento. Nessa mesma mistura de drama com suspense, Meg Ryan move esforços para resgatar o marido seqüestrado, com a ajuda de Russel Crowe, em “Prova de Vida”. Esses são dois papéis que vêm provar a versatilidade de Meg Ryan e que nem só de mocinhas apaixonadas é feita sua carreira.
O que coloca Meg Ryan no topo da consagração em Hollywood é essa flexibilidade que a permite dar vida a personagens tão diversas. É a capacidade de não se limitar a um estereótipo e, rompendo-o, mostrar-se tão bem desenvolta quanto em seus papéis-rótulos.
Categorias: Personagem
Etiquetado: atrizes, cinema, filmes, norte-americanos
Bruna Buzzo
O amor é o grande tema deste magnífico filme do prestigiado diretor francês Patrice Leconte. Mas não um amor tradicional, não como estes que temos visto com tanta freqüência na tela dos cinemas. O roteiro de A Viúva de Saint Pierre nos apresenta três personagens centrais e a possibilidade de conflito entre eles. O diretor, no entanto, soube desenvolver brilhantemente a história, sem cair em nenhum clichê que poderia transformá-la em apenas mais um drama amoroso.
A história começa em 1850, na ilha de Saint Pierre, quando um homem é brutalmente assassinado e o responsável pelo crime, Neel Auguste (Emir Kusturica), é condenado à morte. Na pequena colônia francesa, porém, não há viúva (viúva, em francês veuve, que também significa guilhotina), e enquanto espera o instrumento chegar da metrópole, Neel é colocado sob a custódia do Capitão (Daniel Auteuil).
Madame La (Juliette Binoche), esposa do Capitão, preocupa-se com o destino do condenado e acredita que qualquer homem pode regenerar-se. Ela defende sua reabilitação e faz Neel realizar pequenos serviços à comunidade, os quais o tornam muito popular. O possível envolvimento amoroso da personagem de Juliette com o condenado parece preocupar todos na cidade, exceto o Capitão, que tem uma relação de total confiança e amor com a esposa.
O elenco dá vida aos personagens: cada um dos atores centrais soube entrar brilhantemente no papel e ajudar a construir um enredo atrativo e convincente. Juliette Binoque atua impecavelmente e forma com Daniel Auteuil um casal formidável: os atores nos convencem do amor de seus personagens, que exalam envolvimento e paixão. O diretor iugoslavo Emir Kusturica não decepciona em sua primeira atuação em papel de destaque e faz do condenado uma figura ingênua e cativante, digna de salvação.
Como na canção de Chico Buarque e Tom Jobim], o Capitão poderia dizer à esposa: “se entornaste a nossa sorte pelo chão” e, assim como o personagem da música, ele se rende ao amor, indo até as últimas conseqüências deste, lutando por seus ideais ao mesmo tempo em que procura agradar a esposa que tanto adora.
A trilha sonora e a fotografia também merecem destaque: as músicas e as belas tomadas completam o clima de envolvimentos e tensões – não só amorosas. Junte bons atores, um Canadá gelado e a música adequada: está feito um bom filme. Um luxo do começo ao fim. Sedutor e adorável – para saborear sozinho, ou ao lado da pessoa amada – o desafio é tentar não se envolver ou conter as lágrimas.
Categorias: Vale a pena ver
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Mariana Franco
Nada combina tanto com histórias de amor quanto chocolate. Poucos são os que rejeitam essa delícia. E não há quem não fique com água na boca e louco para experimentar receitas iguais às da pequena chocolateria de Vianne (Juliette Binoche) depois de assistir o filme Chocolate.
Com cinco indicações ao Oscar 2000, o filme tem um sabor de fábula, na qual uma irreverente mulher chega a uma conservadora vila francesa dos anos 50 e abre uma chocolateria. Com suas receitas com poderes mágicos – ou no mínimo afrodisíacos – vindas da América do Sul, ela começa a mudar a vida dos moradores do lugar. Misturas inusitadas como chocolate com pimenta são usadas para desinibir as pessoas, incentivar paixões e trazer vivacidade ao vilarejo impregnado de rígidas tradições.
O Chocolate Quente é uma bebida aconchegante e ótima companheira no frio, além de ser, no filme, a preferida do Johnny Depp. Adicionada de uma pitada de pimenta em pó e chantily é desinibidora. Esta receita, apesar de um pouco trabalhosa, tem um resultado maravilhoso – realmente vale o esforço!
Ingredientes:
- um litro e meio de leite
- uma lata de leite condensado
- uma lata de creme de leite
- oito colheres de chocolate em pó (aquele do padre)
- uma colher (chá) cravo
- uma colhar (chá) rasa de canela em pó
- uma colher de maizena
Preparo:
Leve para a panela uma xícara de leite com o chocolate em pó, dissolvendo bem. Acrescente o leite condensado e mexa até levantar fervura. Acrescente o resto do leite, mas reserve uma xícara. Nesta xícara, com o leite frio, dissolva a maisena e acrescente ao resto. A mistura vai engrossar, mexa o tempo todo para não criar bolinhas. Quando levantar fervura acrescente o cravo e a canela e deixe ferver por mais 5 minutos. Desligue o fogo, acrescente o creme de leite, misture bem e delicie-se!
Os Bombons com Recheio de Pimenta no filme enchem de vivacidade as pessoas, e em geral atribui-se a eles um certo caráter afrodisíaco, por conta da mistura entre o chocolate, que para os astecas estava ligado à deusa da fertilidade, e a pimenta, universalmente considerada afrodisíaca.
Ingredientes:
Recheio-
- 80 g de pimenta dedo de moça, sem o cabo e sem as sementes
- 1 maçã doce (fuji), lavada sem sementes e cortadas em cubos com a casca
- 1/4 xícara (chá) de vinagre
- 3 cravos
- 3 paus de canela
- 2 xícaras (chá) de água
- 2 xícaras (chá) de açúcar
Brigadeiro-
- 1 lata de leite condensado
- 3 colheres (sopa) de chocolate em pó
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 1 colher (sopa) de rum
Preparo:
Recheio – Leve todos os ingredientes (exceto o açúcar) para ferver, até que a maçã amoleça. Ainda quente bata a mistura no liquidificador por alguns minutos. Coe bem e retorne o líquido para a panela. Acrescente o açúcar, uma pitada de sal e deixe ferver até o ponto de geléia (coloque um pouco num pires e se demorar para escorrer esta pronto). Coloque em vidros refratários e deixe esfriar.
Brigadeiro – Leve ao fogo o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Mexendo, deixe cozinhar até ver o fundo da panela. Tire do fogo e adicione um pouco de rum ou essência a gosto.
Coloque num prato untado com manteiga e deixe esfriar. Unte as mãos e modele os brigadeiros, envolvendo em granulados de doce de leite ao invés do de chocolate, e deixe secar ou leve à geladeira para endurecer um pouco. Com o auxilio de um palito para churrasco (unte com manteiga a ponta mais grossa) faça um furo largo no centro do brigadeiro. Com uma colher (café) e com a ponta do palito de churrasco, coloque uma porção de geléia de pimenta no brigadeiro. Além de bonito, fica delicioso!
Se você não tem jeito para a cozinha mas quer provar receitas como as do filme, Choco Amandes (amêndoas caramelizadas com mel, envoltas em chocolate e pó de cacau) da Chocolat du Jour lembram bastante os docinhos que, no filme, fizeram um casal do vilarejo ressuscitar sua paixão e sua vida sexual. As amêndoas e o mel têm fama de afrodisíacos, associados à paixão e à fertilidade. Uma das lendas sobre Cleópatra diz que ela preparava uma mistura de mel e amêndoas pulverizadas para embelezar a pele. Julio César e Marco Antonio engordaram ao seu lado porque teriam se viciado em lamber a sobremesa na taça íntima dessa rainha sedutora.
Então, com receitas inspiradoras como essas, nada como desfrutar de uma boa companhia, não?
Categorias: Deu fome
Etiquetado: chocolate, cinema, filmes, receitas
Bruna Buzzo
Traje uma bela mulher com lindos vestidos e jóias caríssimas, junte um mocinho pobre e determinado, coloque alguns elementos inesperados: esta feita a típica comédia romântica. A queridinha Audrey Tautou (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) volta no divertido Amar… Não Tem Preço para encher os olhos dos espectadores. E das espectadoras também, por que não?
Audrey é Irene, uma jovem que aplica golpes do baú em senhores “solteirões”. Tudo com muito glamour e no melhor estilo. Em uma palavra: luxo. Luxo que se perde por um equívoco pertinente: a bela moça encontra um jovem empresário no hotel; desacompanhados, ambos dão à noite um final agradável. Aqui, a menina pobre poderia encerrar sua vida de golpes e velhos feios, passando a viver feliz ao lado de alguém jovem, bonito e rico.
Seria muito bom se não fosse a mentira que dá origem aos problemas da protagonista. Jean (Gad Elmaleh), o garçom do hotel, se encanta pela beleza da moça, solitária em seu belo vestido, e decide mentir por um sorriso naquela noite. Mas a mentira sai muito cara para ambos: Irene perde seu acompanhante rico e Jean, uma boa fortuna tentando manter a menina de seus olhos ao seu lado.
Um filme para aproveitar o clima deixado pelo dia dos namorados e desfrutar em uma sessão, à tarde, com seu amado(a). Ele não trás piadas novas, nem inovações dentro das comédias românticas. Recheado por belos vestidos, jóias, smokings e paisagens bucólicas do mundo dos ricos e famosos, o filme tem momentos engraçados e é um alivio em meio a um dia-a-dia tumultuado. Merece um sorriso e uma boa companhia, um beijo no final.
Categorias: Lançamentos
Etiquetado: amor, casais, cinema, filmes, franceses, Lançamentos, luxo
Túlio Bucchioni
Muitos são os filmes que tentam captar os sentimentos envolvidos nas situações mais simples e corriqueiras da vida, poucos são os que realmente conseguem. É nessa armadilha que A Força da Amizade cai. A proposta do filme dirigido por Christopher N. Rowley, que tem como tema o poder da amizade em momentos difíceis pelos quais passamos no decorrer da vida, é justamente captar a essência desse vínculo que une pessoas diferentes, as torna companheiras e solidárias umas com as outras.
Tudo começa quando Arvilla (Jessica Lange) fica viúva em uma viagem a Nova Guiné e em seu retorno para sua pequena cidade no interior de Idaho, EUA, tem de acertar contas sobre o funeral de seu marido com a sua enteada Francine (Christine Baranski). Arvilla, que prometera ao marido morto espalhar suas cinzas pelo mundo, é surpreendida pela proposta que sua enteada, agora proprietária da casa em que Arvilla vive, lhe faz: as cinzas de seu pai em troca da permanência de Arvilla na casa que é sua por direito. Permanecendo fiél a sua promessa, Arvilla e suas duas melhores amigas, Margene (Kathy Bates) e Carol (Joan Allen) caem na estrada em um conversível de marca Bonneville e durante o percurso passam por uma série de aventuras em fabulosas paisagens.
A fotografia colorida e os pontos turísticos mostrados fazem de A Força da Amizade um filme bonito. Se o roteiro não é lá tão bem construído, pode-se dizer que o elenco mostra uma certa afinidade junto, com destaque para as cenas da sempre talentosa Kathy Bates e para as esquisitices de Carol, interpretada por uma apagada Joan Allen. O mérito do filme, todavia, é levar o espectador à reflexão sobre as diferentes interpretações e percepções que uma mesma pessoa pode deixar ao longo de sua vida.
Categorias: Lançamentos
Etiquetado: amizade, cinema, filmes, Lançamentos
Lady Jane mostra que a vingança nem sempre é a melhor saída
Ricky Hiraoka
Era para ser mais um dia comum na vida de Muriel (Ariane Ascaride). Ela acordou, olhou-se no espelho e procurou seu filho Martin, que não estava em casa. Muriel foi para sua loja e lá recebeu uma ligação. Era o celular de Martin. Mas quem estava do outro lado da linha não era seu filho. O interlocutor de Muriel exigia 200 mil euros em troca do garoto. Mais do que anunciar o seqüestro de Martin, o telefonema vai trazer à tona feridas do passado que Muriel julgava estarem cicatrizadas bem como revelar a obscura história que a logista esconde.
Lady Jane é um thriller incomum. Não se vê o costumeiro corre-corre, os silêncios são longos e incômodos e a tensão está centrada nos detalhes. Nunca, fumar foi tão desesperador. Os perturbadores olhares conseguem ser mais significativo do qualquer diálogo. Graças às inspiradíssimas e contidas atuações do trio de protagonistas, tudo é explicitado nos pequenos gestos.
Apesar de possuir uma narrativa um tanto lenta, o filme de Robert Guédiguian oferece ao espectador momentos de tirar o fôlego. Lady Jane, em sua metade, nos surpreende com uma virada e a tensão constante se dissolve, ficando-se com a sensação que o fio da meada foi perdido. O que acontece, na verdade, é uma mudança de gênero. Cessa-se o suspense e abre-se espaço ao drama. O drama de quem tem que enfrentar as conseqüências dos próprios atos. O drama de quem percebe que a vingança é incapaz de sanar o mais profundo dos sofrimentos.
Categorias: Lançamentos
Etiquetado: cinema, filmes, franceses, Lançamentos, vingança
Felipe Marques
Quem sabe tudo comece com uma loira escultural capaz de deixar a platéia masculina sem fôlego. Depois, ganhe consistência com a adição de uma boa pitada de canalhice de um dos maiores canastrões do cinema. Então basta uma geladeira, calda de chocolate e cascas de nozes espalhadas pela cama que Voilà!, tem-se um das mais sexies cenas de amor da telona.
A cena em questão é um “clássico” do soft porn, sendo imitada por diversos casais – geralmente, com variados graus de insucesso. Talvez porque a original, protagonizada por Kim Basinger e Mickey Rourke em 9 ½ Semanas de Amor, contasse com algo que a maioria dos casais (espera-se) não conta: o ódio.

Se em cena Basinger e Rourke tinham uma química capaz de deixar o espectador mais animado imerso numa poça de suor (e possivelmente outros fluidos), o relacionamento nos bastidores não era dos mais amistosos. Diferentemente dos casais de contos de fadas de Hollywood que se juntam logo após se conhecerem nas filmagens – vulgo o fenômeno Brangelina – Basinger e Rourke mal conseguiam tomar o mesmo elevador, quem diria extrapolar as peripécias sexuais do filme para a vida real. Basinger, não-fumante convicta, chegou a declarar que beijar Rourke era como “levar um cinzeiro aos lábios”. Rourke, por sua vez, queixava-se de que Basinger era feia e nada sexy, não chegando aos pés de Isabella Rosselini, inicialmente testada para o papel.
Como se o clima de desavenças no set não fosse ruim o suficiente, o diretor Adrien Lyne ainda buscava usar a volatilidade da relação Rourke/Basinger a favor do filme. Reza a lenda que ele formou um “triângulo de desavenças” com o casal protagonista para poder manipular emocionalmente Basinger, de modo que seu humor coincidisse com o de sua personagem no filme. Assim, além de proibir que os dois se falassem fora do set, o diretor também contava a Basinger coisas que Rourke teria dito de modo a produzir nela reações positivas ou negativas sobre o ator, de acordo com a necessidade da cena seguinte. Evidência dessa megalomania manipulativa do diretor seria a forma seqüencial como o filme foi rodado, algo caro e inusitado para os padrões de Hollywood.
A cereja no topo desse bolo de problemas foi a necessidade do diretor “picotar” o filme pouco antes do lançamento. Entre queixas do público sobre a duração e reclamações dos executivos sobre conteúdo“psicologicamente danoso”, um grande número de cenas ficou para sempre trancado nos cofres da MGM. Não que isso fosse afetar a péssima qualidade do filme. 9 ½ Semanas de Amor é infinitamente mais interessante por seus bastidores do que pelo enredo. Uma história que não se sustenta, atuações um tanto duvidosas… E uma Kim Basinger que nada mais é que um dublê de corpo. Esse filme é um exemplo clássico de que no cinema nem tudo é o que parece. Até a mais tórrida cena de amor.
Categorias: Bastidores
Etiquetado: amor, brigas, cinema, filmes
…e um bom roteiro em Cinturão Vermelho
Victor Caputo
Se você não gosta nem um pouco de filmes de luta e afins, é melhor não chegar muito perto de Cinturão Vermelho (Redbelt), a nova obra de David Mamet, que inclusive pratica jiu-jistu há cinco anos, o que acabou sendo um incentivo para a realização do filme. O nome de Mamet é relacionado a diversos filmes, seja como diretor, roteirista ou ambos. Alguns deles são “Hannibal”, “Ronin”, “Mera Coincidência” e “O Veredicto”.
“Cinturão Vermelho” gira em torno da história de Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um professor de jiu-jitsu que sempre fugiu de competições por acreditar que enfraquece o lutador. Na verdade essa não é a única crença de Mike, ele é cheio de ideais e procura sempre segui-los. Por causa disso, sua escola de luta está indo a falência, o que acaba interferindo em seu casamento com Sondra (Alice Braga).
Após um acontecimento em uma noite entre um de seus alunos e uma advogada problemática, Mike acaba tendo contato com o universo que sempre evitou, lutas armadas para que apostadores e lutadores ganhem dinheiro e junto a possibilidade de acabar com seus problemas financeiros em troca de suas crenças.

Aparentemente, “Cinturão Vermelho” não passa de mais um dos muitos filmes de luta à la Van Damme. Entretanto ele possui algo mais, um diferencial, que é o roteiro. Ao contrário do que estamos acostumados, apenas brigas e socos sem nenhuma explicação plausível, “Cinturão Vermelho” desenvolve melhor a história e os personagens. É claro que alguns dos clichês de filmes de luta não foram deixados de lado, tanto na filmagem como no roteiro, mas mesmo assim, a história se apresenta de um modo muito mais interessante do que o usual.
O filme conta ainda com Rodrigo Santoro e nomes bem conhecidos do cinema, como Tim Allen, Joe Mantegna e David Paymer. A presença de tantos brasileiros no elenco se deve ao fato de que o Jiu-Jitsu praticado e ensinado por Mike é uma vertente brasileira da luta, sua esposa é brasileira e seus cunhados também, entre eles Rodrigo Santoro.
Se você é um dos muitos fãs do estilo, dê uma conferida em “Cinturão Vermelho”, o filme pode ser uma ótima opção de diversão para os fâs e quem sabe, também surpreenda os não muy amigos de filmes de luta.
Categorias: Lançamentos
Etiquetado: Alice Braga, brasileiros, Chiwetel Ejiofor, cinema, Cinturão Vermelho, David Mamet, filmes, jiu-jitsu, Lançamentos, luta, norte-americanos, Redbelt, Rodrigo Santoro